The Complete Mystery of Madeleine McCann™
Welcome to 'The Complete Mystery of Madeleine McCann' forum 🌹

Please log in, or register to view all the forums as some of them are 'members only', then settle in and help us get to the truth about what really happened to Madeleine Beth McCann.

When you register please do NOT use your email address for a username because everyone will be able to see it!

Buried by Mainstream Media - Transcripts (Portuguese) Mm11

Buried by Mainstream Media - Transcripts (Portuguese) Regist10
The Complete Mystery of Madeleine McCann™
Welcome to 'The Complete Mystery of Madeleine McCann' forum 🌹

Please log in, or register to view all the forums as some of them are 'members only', then settle in and help us get to the truth about what really happened to Madeleine Beth McCann.

When you register please do NOT use your email address for a username because everyone will be able to see it!

Buried by Mainstream Media - Transcripts (Portuguese) Mm11

Buried by Mainstream Media - Transcripts (Portuguese) Regist10

Buried by Mainstream Media - Transcripts (Portuguese)

View previous topic View next topic Go down

Buried by Mainstream Media - Transcripts (Portuguese) Empty Buried by Mainstream Media - Transcripts (Portuguese)

Post by Paulo Alexandre 15.10.20 20:19

In this thread, I will post the transcripts of Richard D. Hall's Madeleine McCann documentaries in Portuguese. The first transcript is of Part 1 titled "The Initial Storm". The transcript might slightly change, if I see there are elements there that need to be altered, but the one posted here will not be changed nor updated. Overall, "The Inital Storm" (46 minutes) has been accurately translated and transcribed by me. The transcript will be divided into 3 parts (or posts, for that manner).

-----------------------------------------------//-----------------------------------------------

Neste tópico, eu irei postar as transcrições dos documentários de Richard D. Hall sobre Madeleine McCann, em Português. A primeira transcrição é da primeira parte intitulada "A Tempestade Inicial". A transcrição poderá mudar ligeiramente, se eu observar elementos nela que necessitam de ser alterados, no entanto, a transcrição publicada aqui não mudará, nem será atualizada. No geral, "A Tempestade Inicial" (46 minutos) foi corretamente traduzido e transcrito por mim. A transcrição será dividida em 3 partes (ou postagens, para assim o dizer).


A Tempestade Inicial (The Initial Storm)

Parte 1

Esta série de filmes foi investigada e apresentada com a intenção de fornecer uma versão verdadeira dos factos relacionados com Madeleine McCann. Se alguém tiver provas que traga informação nova à luz do dia, nós encorajámo-lo a contactar-nos através do e-mail do produtor richard@richplanet.net. Se a informação que você enviar for relevante e bem fundamentada, nós então consideraremos modificar os nossos documentários.

Com o interesse de espalhar a verdade, nós incentivámos todos a criarem cópias de DVD destes filmes e distribuí-los livremente. Nós damos permissão para todos descarregarem estes filmes na Internet e exibi-los em qualquer plataforma que você escolher.

Nós não pedimos qualquer pagamento por mostrar estes filmes, mas se você quiser fazer uma contribuição voluntária para financiar futuros filmes, por favor visite www.richplanet.net/donate.
 
Programa 1 – A Tempestade Inicial
 
ENTERRADA PELA COMUNICAÇÃO SOCIAL: A Verdadeira História de Madeleine McCann
 
Richard Hall: Bem-vindo! Eu sou Richard D. Hall e estou aqui em Portugal, Praia da Luz. A razão pela qual eu vim aqui é porque eu estou a fazer uma série de documentários sobre o caso Madeleine McCann. Porque é que eu estou a fazer programas sobre isso? Bem, é porque eu estou farto de ver títulos de notícias enganadores sobre o incidente. Nestes filmes, eu irei expor os factos sobre o incidente e também o que aconteceu desde então. Os documentários mostram claramente que o último sítio para obter informação verdadeira é a comunicação social e também irei expor aqueles que controlam a comunicação social.
 
Narração (Richard Hall): Madeleine McCann. A menina britânica de 3 anos raptada por um estranho, entre as 21:00 e 22:00, numa quinta-feira de 3 de Maio de 2007. Tornou-se num dos mistérios mais persistentes da nossa época. Até mesmo o porta-voz omnipresente do casal McCann, Clarence Mitchell, de quem ouviremos falar neste documentário, admitiu em 2007, que o desaparecimento dela continuava a ser “um mistério completo”. Sob lei britânica, uma pessoa que se encontra desaparecida durante sete anos ou mais poderá ser declarada falecida. O tribunal tem o poder, sob requerimento de um familiar ou outra pessoa interessada, para declarar que uma pessoa desaparecida tem de ser considerada como falecida. Os McCanns arrecadaram milhões de libras para procurar a Madeleine. Os McCanns gastaram milhões em agências de detetives privados. Os McCanns gastaram mais milhões em assessores de relações públicas e advogados. Após todo este tempo, parece que nem sequer estamos um pouco próximos de saber como Madeleine McCann desapareceu e o que lhe possa ter acontecido.

É uma história que vendeu milhões de periódicos sensacionalistas e até hoje, divide as pessoas profundamente, até mesmo dentro do círculo familiar. Por um lado, temos os McCanns. A sua frota de especialistas de relações públicas e advogados e Scotland Yard, cuja revisão e investigação já durou quase três anos e custou por volta de sete milhões de libras. A opinião deles é clara – Madeleine foi raptada da sua cama por um estranho, a investigação portuguesa foi desleixada e incriminou-os erradamente, e o Procurador-Geral português inocentou-os. Eles continuam todos a busca pela Madeleine, esteja ela viva ou morta. Mas os McCanns enfrentam uma enorme oposição – o detetive português que investigou o desaparecimento de Madeleine, chamou os McCanns para interrogatório e declarou-os suspeitos no desaparecimento da sua própria filha. Ele escreveu um livro sobre o caso, intitulado “A Verdade da Mentira”. Ele afirmou que as provas sugeriam que Madeleine tinha morrido no apartamento dos pais dela, e que os McCanns planearam esconder o corpo dela e afirmar falsamente que ela tinha sido raptada. Muitos concordam com ele, particularmente o ex-detetive John Stalker, que liderou a investigação da política controversa “Dispara a matar” da Polícia Real de Ulster. Já em 2007, ele declarou: “Os McCanns estão a esconder um grande segredo”.

Uma das minhas fascinações sobre este caso é porquê a comunicação social está tão relutante em discutir os detalhes. Na televisão, a versão dos McCanns é raramente questionada em profundidade. Eles, de certa forma, recebem uma plataforma, apesar das questões incómodas que existem. Nesta série de documentários, examinaremos os factos em maior detalhe do que alguma vez feito em qualquer filme. O material irá, inevitavelmente, suscitar perguntas e isso é a sua intenção. O meu objetivo é lançar luz sobre áreas secretas e escuras que a comunicação social não se atreve a abordar.

Na primeira e segunda parte, nós iremos examinar as duas áreas principais de provas que levaram os McCanns a serem interrogados. Primeiro de tudo, as mudanças das versões e as contradições. Em segundo lugar, a informação fornecida por dois cães policiais, treinados pelo especialista mundialmente reconhecido, o Sr. Martin Grime, que agora trabalha para o FBI.

Iremos dar uma vista de olhos ao histórico controverso da agência de detetives, empregados pelos McCanns. E finalmente, iremos investigar a quantidade extraordinária de ajuda de alto nível que os McCanns tiveram por parte do governo britânico e os seus serviços de inteligência. Na segunda parte, abordaremos alguns destes temas em maior detalhe, focando-nos em muitas das mudanças de versões e contradições no caso, procurando analisar e explicar porque é que existem tantas.
 
[INÍCIO]
 
Narração: Comecemos por uma vista de olhos a uma importante alteração de versões - de como o raptor teve acesso ao apartamento e uma contradição crucial, as versões contraditórias de uma visita que se alega ter sido feita pelo amigo dos McCanns, Dr. David Payne, a Kate McCann por volta das 18:30, no dia em que foi reportado o desaparecimento de Madeleine.

Portanto, qual foi a versão original que os McCanns deram à imprensa? Recordemos que foi uma história internacional que se desenvolveu com grande velocidade. De acordo com os McCanns, o desaparecimento de Madeleine foi notado por volta das 22:00 a 3 de Maio de 2007. Entre meia hora e uma hora depois, eles reportaram o desaparecimento à receção do Ocean Club, que por sua vez, informou a polícia. Às 7 horas da manhã do dia seguinte, apenas 9 horas depois, a comunicação social britânica já reportava este desaparecimento misterioso. Alguns deles receberam informação diretamente dos amigos dos McCanns, como Jill Renwick, uma amiga do antigo primeiro-ministro Gordon Brown e a sua mulher. Durante as primeiras horas da manhã de sexta-feira, a imprensa britânica convocaram os seus repórteres estrangeiros para a vila portuguesa de Praia da Luz, como Jon Clarke, o editor do periódico espanhol “The Olive Press”, que envia artigos para “The Sun” e o “Daily Mail”. Ele foi chamado na madrugada de sexta-feira e realizou uma viagem de 5 horas, da sua casa em Ronda, Espanha, para estar em Praia da Luz antes do meio-dia. Foi um frenesi mediático internacional desde o primeiro dia.

Uma destas primeiras reportagens foi realizada pela BBC, que transmitiu os comentários de Trish Cameron, irmã de Gerry McCann. A BBC reportou que a Srª Cameron tinha recebido uma chamada telefónica do seu irmão de 39 anos, um consultor cardiologista, que estava “histérico e a chorar”, assim ela o disse.

Trish Cameron: A última verificação às 21:30, eles estavam todos a dormir, com as janelas e as persianas fechadas. Kate regressou às 22:00 para verificar. A porta principal estava aberta, a janela tinha sido manipulada, as persianas foram forçadas e Madeleine não estava lá.

Narração: Não há qualquer dúvida que esta foi a história que os McCanns queriam que a imprensa relatasse. Um raptor, assim o afirmaram, teria entrado pelas persianas e janelas, usando um pé-de-cabra, e teria levado a Madeleine do seu apartamento de férias. “The Guardian” publicou a seguinte versão do pai de Kate McCann, Brian Healy:

“Gerry disse-me que quando regressaram, as persianas do quarto estavam forçadas, elas tinham sido abertas com um pé-de-cabra e ela tinha desaparecido.”

O “Mirror” e “The Times” publicaram ambos um artigo do padrinho de Madeleine, cineasta John Corner, que disse que Kate McCann o tinha telefonado a meio da noite. Ele disse que ela simplesmente balbuciou que Madeleine tinha sido raptada. Kate disse que as persianas do quarto estavam destruídas, Madeleine não estava lá e parece que alguém tivesse passado diretamente pelos gémeos para a agarrar.

Uma amiga da família, Jill Renwick, disse à “GM TV” e ao “The Independent” que eles estavam simplesmente a vigiar o quarto do hotel e regressando a cada meia hora, e as persianas tinham sido forçadas e que tinham entrado no quarto e levado a Madeleine.

Portanto, os McCanns deram esta versão a quatro pessoas diferentes. O país foi o primeiro a ser informado de que tinha havido um assalto violento, tendo as persianas sido forçadas com um pé-de-cabra. Segundo, que a porta principal tinha sido fechada à chave, mas que agora estava aberta, e terceiro – é claro – que Madeleine tinha sido raptada.

Mas em apenas 24 horas, a versão inicial dos McCanns mudou dramaticamente em vários aspetos importantes. Eu explicarei como essas mudanças ocorreram.

Para começar, examinaremos o primeiro depoimento de Gerry McCann como testemunha, realizado justamente no dia seguinte, a sexta-feira de 4 de maio. Ele disse que durante a noite, tanto ele como a sua esposa verificaram os seus filhos, usando uma chave para abrir a porta principal do apartamento. Ele explicou como a sua mulher, Kate, descobriu que Madeleine tinha desaparecido durante a sua verificação às 22:00 e como ele correu para o apartamento e encontrou a janela do quarto das crianças aberta, as persianas subidas e as cortinas abertas. Agora não havia menção da porta principal estar aberta. Kate, que foi quem deu o alerta, e portanto entrou no apartamento antes de Gerry, disse exatamente o mesmo sobre o quarto dos filhos – a janela aberta, as persianas subidas e as cortinas abertas. Ela adianta que tinha certeza de que estava tudo fechado quando eles saíram às 20:30 naquela noite para jantar no restaurante Tapas.

Um ponto interessante a destacar é que, embora Gerry tivesse sido entrevistado sozinho pela polícia, Gerry e os seus conselheiros persuadiram a polícia para se sentar atrás de Kate enquanto ela estava a ser entrevistada. Um privilégio estranho. Na página 91 do seu livro sobre o caso, intitulado “Madeleine”, ela escreveu: “Gerry punha a mão sobre o meu ombro, de vez em quando, ou dava-me um aperto de garantia.”

Mas a afirmação da janela aberta, de persianas subidas e forçadas e as cortinas abertas foi descredibilizada horas após Kate e Gerry prestarem as suas declarações. “The Independent”, por exemplo, citou John Hill, gerente do Ocean Club na Praia da Luz, dizendo que, apesar da informação de um amigo da família, de que as persianas do apartamento do casal estavam partidas, não havia nenhum vestígio de que alguém tivesse forçado a entrada, enquanto os McCanns jantavam no restaurante Tapas. Ainda é questionável se ocorreu um rapto.

Depois, o inspetor-chefe Olegário Sousa, o porta-voz da investigação, disse ao detetive britânico, o inspetor Curvy, que as janelas e a persiana não tinham sido forçadas, acrescentando que o seu mecanismo faz com que seja quase impossível de as abrir pelo exterior. Mais tarde, imagens da polícia a examinar as persianas tornaram-se públicas, deixando bastante claro que as persianas não estavam danificadas. Não havia nada que corroborasse as afirmações de Gerry e Kate, apenas horas após ter sido denunciado o desaparecimento de Madeleine, de que as persianas tinham sido abertas com um pé-de-cabra. 

E seguiu uma mudança de versões ainda mais dramática, quando foi solicitado aos McCanns para prestarem um segundo depoimento à polícia, a 10 de maio, 6 dias depois. Apesar de Gerry ter dito claramente à polícia que, durante aquela noite, eles tinham verificado as crianças ocasionalmente, entrando pela porta principal usando uma chave para entrar. Agora eles garantem que isto não era verdade. Em vez disso, eles afirmaram que entraram pela porta do pátio, deixando-a destrancada. A afirmação deles, de que a entrada tinha sido forçada por um raptor, através do quarto das crianças, provou-se ser falsa. Agora, eles tinham de explicar rapidamente como é que o suposto raptor entrou no apartamento. 

Podemos ver o que Gerry disse no seu segundo e mais longo depoimento. O relatório da polícia nota: “Apesar do que referiu nas suas declarações anteriores, refere agora e tem a certeza, que saiu com Kate pela porta das traseiras, que consequentemente ficou fechada, mas não trancada, uma vez que tal só é possível pelo interior”. Além disso, Gerry acrescenta que estava seguro que tinha fechado a porta principal, mas garantiu que era “pouco provável que estivesse fechada à chave”.

continued in next part...

____________________
"The shoes were black in colour and classic in style" - Jane Tanner's May 4th statement

"I mean, seriously, how often do you really look at a man's shoes?" - Red from The Shawshank Redemption (1994)
Paulo Alexandre
Paulo Alexandre
Forum support

Posts : 924
Activity : 1079
Likes received : 151
Join date : 2019-05-04

Back to top Go down

Buried by Mainstream Media - Transcripts (Portuguese) Empty Re: Buried by Mainstream Media - Transcripts (Portuguese)

Post by Paulo Alexandre 15.10.20 20:30

A Tempestade Inicial (The Initial Storm)

Parte 2

Narração: Teve de ser o documentário televisivo “Procurando a Madeleine” por “Dispatches”, a 18 de outubro de 2007, que trouxe uma admissão formal por parte de Gerry e Kate McCann e o seu porta-voz, que o raptor não podia ter entrado no apartamento através da janela do quarto das crianças. O programa demonstrou efetivamente que não havia qualquer maneira de que alguém conseguisse assaltar o apartamento e não deixar nenhum rastro forense ou dano às leves persianas de alumínio, que estavam cobertas com um revestimento fino de pintura poliuretano, que deixa marcas com grande facilidade. David Barkley, o ex-diretor das provas físicas do Departamento Nacional de Crimes e Operações do Reino Unido, foi citado no programa. Ele disse: 

David Barkley: Devemos ser bastante cuidadosos, nós não estamos a dizer que isto é, na verdade, uma encenação, mas é difícil ver como é que alguém podia ter manipulado aquelas persianas pelo exterior sem deixar rastro. De facto, da maneira como as vimos, eu creio que é quase impossível. 

Narração: Logo após o programa, que se mostrou bastante cético da versão dos McCanns, o porta-voz deles, Clarence Mitchell, prestou uma declaração impressionante, a qual eu reproduzo na íntegra, exatamente assim citada no “The Independent”.

O artigo do “The Independent” contou aos seus leitores: “O porta-voz da família de Madeleine McCann reverteu uma declaração feita nos primeiros dias da busca pela criança desaparecida. No início da busca, amigos e familiares disseram aos jornalistas que as persianas do apartamento onde os McCanns estavam alojados tinham sido forçadas”. Depois, eles citaram o Mitchell: “Não havia nenhuma prova de uma entrada forçada. Eu não vou entrar em detalhes, mas eu posso dizer que Kate e Gerry estão firmemente convencidos de que alguém entrou no apartamento e levou a Madeleine pela janela como meio de fuga. E para fazer isso, eles não tiveram necessariamente de forçar algo, eles saíram pela janela com facilidade”. Os McCanns já nos tinham pedido para acreditar que eles tinham cometido um erro genuíno quando inicialmente disseram à polícia que entravam no apartamento pela porta principal. Agora, eles faziam uma declaração que muitas pessoas acharam difícil de engolir. 

Eles agora sugeriam ousadamente, através do seu porta-voz, que o raptor misterioso entrou tranquilamente pela porta do pátio. Depois, ele supostamente tirou a Madeleine da sua cama e, assim como o porta-voz deles disse, levou-a pela janela como meio de fuga. Além disso, ninguém, exceto uma amiga próxima dos McCanns que estava com eles de férias, viu qualquer raptor ou ouviu qualquer raptor. Se realmente tivesse existido um raptor a levar uma criança pela janela do quarto das crianças, não deixou qualquer rastro forense para trás. A janela do quarto das crianças era bastante pequena, por volta de 80cm x 80cm. É difícil de imaginar como um raptor tivesse passado pela janela, com uma criança, sem a acordar. Mais concretamente, porque é que o raptor misterioso decidiria sair pela janela, quando ele já sabia que podia simplesmente sair pela porta destrancada do pátio, ou pela porta principal, que estava destrancada.

Os McCanns tinham agora outro problema: como é que podiam explicar um raptor entrando livremente pelo apartamento deles através de uma porta e decidindo depois sair por uma janela pequena, com uma criança ao colo. Eventualmente, os McCanns encontraram uma explicação, no entanto esta explicação demonstrou ser ainda mais bizarra do que as anteriores.

Em 2010, os McCanns estiveram envolvidos num julgamento por difamação durante 3 dias em Portugal. Este foi um pedido de indemnização ao autor e editores do livro sobre o caso, pelo inspetor-chefe Gonçalo Amaral, que coordenou a investigação inicial do desaparecimento de Madeleine. Alguns testemunhos foram prestados durante esse julgamento que os realmente envergonhou.

Abordando as janelas e persianas abertas, Kate McCann disse à comunicação social a 14 de janeiro: “Em relação à janela, eu descrevi à polícia exatamente o que encontrei naquela noite, como estava e é bastante relevante. Eu sabia que qualquer pequeno detalhe podia ser importante para encontrar a minha filha. A janela, que é do andar térreo, estava completamente aberta e é suficientemente larga para uma pessoa sair por ela. Se foi aberta por este objetivo é um mistério. Poderia, claro, ter sido aberta pelo perpetrador dentro do apartamento, como uma potencial via de fuga ou deixada aberta como uma pista falsa”.

Os McCanns sugeriram seriamente que um raptor podia ter entrado por uma das portas destrancadas da propriedade, e aberto a janela e as persianas do quarto das crianças como terceiro meio de fuga ou, ainda mais bizarro do que isso, abriu-as apenas para confundir os investigadores. 

De certa forma, o livro de Kate “Madeleine” surgiu com um cenário ainda mais ridículo, na página 131. Ela escreveu: “Secalhar [o raptor] tinha entrado ou saído pela janela, não ambas as coisas; talvez ele não a usou de todo mas abriu-a para preparar uma via de fuga de emergência caso fosse necessário, ou apenas para confundir os investigadores. Ele podia ter estado dentro e fora do apartamento mais do que uma vez entre as nossas visitas. O que nós agora acreditámos é que o raptor tinha estado no quarto, muito provavelmente antes da verificação do Gerry”. Todos estes cenários são, no mínimo, altamente improváveis.

Daqui a pouco, eu terminarei esta secção na mudança de versões iniciais, ao dar uma vista de olhos detalhada nas afirmações prestadas pela Kate McCann sobre o que ela viu e fez quando entrou no apartamento naquela noite e diz ter descoberto que Madeleine tinha desaparecido.

Mas antes disso, eu mencionei o porta-voz dos McCanns, Clarence Mitchell, uma ou duas vezes. Espero dizer muito mais sobre ele e o papel do governo em ajudar os McCanns numa futura ocasião. Mas por agora, permita-me dizer algumas coisas pertinentes sobre ele.

Na altura em que se reportou o desaparecimento de Madeleine, Mitchell era diretor da poderosa máquina dos media do governo de Blair, a Unidade de Monitorização dos Media, na Oficina Central de Informação, conhecida por muitos como a Oficina Central de Desinformação. Com um salário de mais de 100 mil libras, ele dirigia um poderoso departamento de manipulação da comunicação social, que custava aos contribuintes vários milhões de libras por ano. Depois de ter estado a trabalhar para os McCanns durante um ano, ele gabou-se perante um periódico português, o “Expresso”, dizendo que o seu trabalho era “controlar o que saía nos media”. Antes de se tornar no porta-voz dos McCanns, ele trabalhou para a BBC durante vários anos, abordando os maiores crimes da época, os assassinatos de Fred e Rosemary West, os assassinatos em Soho de Jessica Chapman e Holly Wells e o assassinato de Jill Dando, para mencionar apenas três. Porque é que um chefe bem pago da temida Unidade dos Media de Tony Blair, comunicando diretamente com o gabinete de 10 Downing Street, foi encarregado de gerir a tempestade mediática sobre o caso de Madeleine McCann no dia 6 de maio de 2007, apenas três dias após o desaparecimento de Madeleine? O que é que aconteceu que fez com que o governo britânico, apenas 16 dias após isso, o transferisse para o Gabinete dos Negócios Estrangeiros e o enviasse para Praia da Luz, Portugal, onde ele permaneceu até os McCanns terem regressado à sua casa em Inglaterra, depois da polícia portuguesa os declarar ambos suspeitos formais do desaparecimento de Madeleine.

Nesse mês, Setembro de 2007, Clarence Mitchell teve permissão para abandonar o seu bem renumerado cargo de funcionário público, de forma a poder trabalhar a tempo inteiro para os McCanns. Durante o ano que se seguiu, ele estava detrás de cada história sobre Madeleine que aparecia na primeira-página dos periódicos britânicos. Muitas delas eram histórias aparentemente fabricadas pelo Mitchell. Aparecia uma história atrás da outra, e referência a suspeitos, pessoas de interesse e pessoas que “queremos localizar para eliminá-los da nossa investigação”, acompanhadas por retratos-robô sinistros de uma variedade de pessoas que afirmaram os terem vistos a rondar a aldeia de Praia da Luz, na altura em que os McCanns estavam lá. Nada resultou de todas estas histórias, tal como sabemos, mas Mitchell teve êxito no seu objetivo de manter a ideia na cabeça do público, de que Madeleine tinha sido raptada e poderia estar viva. Mas o que Mitchell fez desde que deixou de trabalhar a tempo inteiro para os McCanns, em setembro de 2008, também é muito interessante.

Continuou a trabalhar a tempo parcial para os McCanns, baseado num adiantamento que, segundo se diz, tem o valor de 30 mil libras por ano. Mas obteve imediatamente um trabalho como gestor de reputação em “Freud International”. Essa empresa é possuída e dirigida por Matthew Freud, o genro do magnata dos media, Rupert Murdoch. Tornou-se aparente que Mitchell estava estritamente relacionado com o império de Murdoch. Em 2009, o David Cameron reuniu-se com Rupert Murdoch no iate do Murdoch no mediterrâneo. Ele viajou até lá no avião privado de Matthew Freud. Semanas após esse encontro histórico, tendo Murdoch dito aos seus periódicos como “The Sun” e “The Times” para apoiar os trabalhadores, agora mudou drasticamente de lado e começou a apoiar os conservadores de Cameron, para vencer as eleições gerais de 2010, o que conseguiram, ainda que não obtiveram uma maioria absoluta.

Mais ao menos na mesma altura, Cameron contratou Andy Coulson, ex-diretor do “News of the World”, outro periódico de Murdoch, como seu diretor de comunicações. Coulson, claro, tem estado envolvido no longo julgamento das escutas telefónicas no Tribunal Central Criminal, acusado de pagar ilegalmente a policiais de alto nível para conseguir histórias sensacionalistas, e piratear ilegalmente os telefones das pessoas.

Em março de 2010, Cameron e Coulson nomearam Mitchell vice-diretor de comunicações para ajudar a controlar os media, para ganhar as eleições gerais aos conservadores. Assim aí tínhamos uma equipa composta por Cameron, um amigo pessoal e vizinho de Rebecca Brooks, que na altura era diretora executiva do império mediático internacional de Murdoch, o Coulson, ex-diretor de um dos periódicos de Murdoch, e Clarence Mitchell, chefe de controlo dos media para o Blair e recentemente nomeado consultor de relações públicas para uma empresa possuída e dirigida pelo genro de Murdoch. Portanto, Mitchell era um homem que se movia nas mais altas organizações da classe política e dos media britânicos. Porque é que foi necessário para que lhe fosse oferecido um trabalho a tempo inteiro como agente de relações públicas dos McCanns, apenas três dias após a Madeleine ter desaparecido? Afinal de contas, tanto quanto se sabia na altura, Madeleine podia ter sido encontrada a qualquer momento. E a contribuição de Mitchell ao caso, custando centenas de milhares de libras durante os últimos sete anos, levou à descoberta de algo útil sobre o que realmente aconteceu a Madeleine? A resposta a isso, até agora, é NÃO.
 
Mas retornemos ao assunto concreto que temos para falar, as mudanças de versões dos McCanns nas suas primeiras declarações à polícia portuguesa. Investiguemos isto em maior detalhe.

Na sua entrevista de maio de 2009, Kate McCann deu a sua primeira descrição detalhada do que ela encontrou quando foi verificar as crianças, por volta das 22:00 a 3 de maio de 2007. Entre outras coisas, ela menciona o que ela diz ser o brinquedo favorito de Madeleine. Um peluche cor-de-rosa, chamado “Cuddle Cat” (Gato Carinhoso). Isto foi o que Kate McCann disse:

Kate McCann: Eu fiz a minha verificação por volta das dez da noite, e entrei pela porta do pátio e na verdade, eu simplesmente parei e pensei: “Oh, tudo calmo”. E para ser honesta, eu talvez estava tentada a virar para trás na altura, mas eu reparei que a porta, a porta do quarto onde as três crianças dormiam, estava muito mais aberta do que a tínhamos deixado. Eu fui fechá-la, mais ou menos até aqui, e assim que chegou aqui, bateu repentinamente. E assim que eu a abri, foi quando pensei dar uma vista de olhos às crianças. Vi Sean e Amelie nos seus berços e depois, estava a olhar para a cama da Madeleine, que estava aqui, e estava escuro, e olhava e pensava: “Será que era a Madeleine ou a roupa da cama?”. Eu não conseguia distinguir. Parece bastante estúpido agora, mas na altura pensava, “Não quero acender a luz, porque não quero acordá-los”. E literalmente, assim que voltei a entrar, as cortinas do quarto que estavam fechadas, “whosssh!”, como uma espécie de rajada de vento simplesmente abriu-as com um sopro. E o Cuddle Cat continuava lá, num rosa-negro, ainda estava lá… quero dizer, eu sabia imediatamente que ela… tinha sido raptada, sabe…

Narração: Estudando isto em maior detalhe, primeira ela diz que a porta estava “muito mais aberta do que a tínhamos deixado”. Ela quer dizer “muito mais aberta do que quando deixámos as crianças às 8 e meia da tarde, quando saímos para jantar”. Esta declaração é uma completa estupidez, por esta razão: Kate pode se ter lembrado, assim o diz, de ter deixado a porta ligeiramente aberta quando saíram para o restaurante às 20:30, mas sabemos, de acordo com as declarações deles, que entretanto outras duas pessoas tinham estado no apartamento, o seu marido Gerry após as 21:00, e o seu amigo, o Dr. Matthew Oldfield. Portanto, ela não tinha nenhuma forma de saber como estes dois tinham deixado a porta do quarto das crianças. As cortinas estavam fechadas quando saíram, ela diz. Depois dizem que uma rajada de vento soprou as cortinas para dentro do quarto. No entanto, fotografias exibidas publicamente pela polícia portuguesa mostram uma das duas cortinas encostada à parede num lado da cama abaixo da janela. A outra é vista detrás duma cadeira de braços. Isso é um sinal de que as cortinas deviam ter sido colocadas nessa posição por alguém. Além disso, as cortinas que voam no vento, não acabam repentinamente 50 ou 60 cm de distância, como podemos ver na fotografia da polícia. Elas estão dobradas, o que significa que, na verdade, alguém as deve ter aberto. A cortina da direita está mais aberta do que a da esquerda. Não foi uma rajada de vento que fez isto.

continued in next part...

____________________
"The shoes were black in colour and classic in style" - Jane Tanner's May 4th statement

"I mean, seriously, how often do you really look at a man's shoes?" - Red from The Shawshank Redemption (1994)
Paulo Alexandre
Paulo Alexandre
Forum support

Posts : 924
Activity : 1079
Likes received : 151
Join date : 2019-05-04

Back to top Go down

Buried by Mainstream Media - Transcripts (Portuguese) Empty Re: Buried by Mainstream Media - Transcripts (Portuguese)

Post by Paulo Alexandre 15.10.20 20:47

A Tempestade Inicial (The Initial Storm)

Parte 3

Narração: Com todas estas mudanças de versões e contradições, não é de estranhar que a polícia portuguesa tenha questionado a versão dos McCanns desde o princípio. Nós vimos antes que os McCanns informaram que ao chegar ao apartamento, por volta das 22:00, a persiana estava levantada e as janelas estavam abertas. A janela, já agora, era de correr – você abre o fecho e depois uma janela desliza-se à frente da outra.

Se o raptor realmente tivesse usado a janela como via de saída, tinha sido sem dúvida um aperto fortíssimo para atravessá-la. Mas o que isto igualmente significa é que se realmente tivesse havido uma rajada de vento, como os McCanns afirmaram, teria soprado uma das cortinas. É mais uma indicação que a alegada cena do crime foi manipulada.

Além disso, quando a polícia examinou a moldura da janela para deteção de impressões digitais, apenas encontraram uma impressão digital – a impressão digital de Kate McCann. Vamos examinar mais um ou dois aspetos das afirmações feitas pelos McCanns sobre o estado do quarto das crianças quando o encontraram naquela noite. Primeiro, eles disseram à polícia que a porta do quarto das crianças estava completamente aberta, mas quando perguntaram à Kate McCann sobre isto na televisão, esta versão alterou para “a porta estava um pouco mais aberta do que a tínhamos deixado”. Tal como discutimos antes, esta afirmação é absurda, pois duas outras pessoas tinham alegadamente verificado as crianças durante a noite. Portanto, de qualquer forma, os McCanns não podiam ter sabido o quanto aberta a porta tinha sido deixada. No seu livro sobre o caso “Madeleine”, Kate disse: “A porta estava bastante aberta”. Na sua entrevista de maio de 2009, acerca da porta fechando à força por uma rajada de vento, Kate McCann disse isto…

Kate McCann: A porta do quarto onde as três crianças dormiam estava muito mais aberta do que a tínhamos deixado. Eu fui fechá-la, mais ou menos até aqui, e assim que chegou aqui, bateu repentinamente. E assim que eu a abri, foi quando pensei dar uma vista de olhos às crianças.

Narração: Esta foi como ela contou a história à CNN.

Kate McCann: Eu reparei que a porta do quarto das crianças estava bastante aberta e nós sempre a deixamos ligeiramente entreaberta, apenas para deixar entrar um pouco de luz. E pensei para mim mesma, “Será que Matt deixou a porta aberta às 21:30?”, porque Matt verificou às 21:30. E pensei “talvez foi isso que aconteceu”, portanto fui fechar a porta das crianças e quando estava prestes a fazê-lo, de certa forma a porta fechou-se com força, como se uma corrente de ar a tivesse fechado.

Narração: A mesma história está no livro dela, na página 71. “Depois eu reparei que a porta do quarto das crianças estava bastante aberta, não como a tínhamos deixado. Inicialmente, eu pressupus que Matt devia a ter movido. Eu aproximei-me e comecei a puxá-la gentilmente. De repente, fechou-se com força, como se tivesse sido apanhada por uma corrente de ar”. Nós aqui apercebemo-nos, para começar, uma adaptação inteligente. O absurdo da porta ter sido encontrada “muito mais aberta do que a tínhamos deixado” é alterado. Agora, ela afirma: primeiro, eu presumi que Matt – um amigo médico deles – tinha a movido. Demorou quatro anos para ela acrescentar este detalhe à sua história. Um ponto vital a ter em conta aqui é que as afirmações sobre a corrente de ar e a porta a bater com força não estavam em nenhuma das declarações originais dos McCanns. Estas afirmações foram acrescentadas por eles, meses depois. Esta história da suposta rajada de vento, as cortinas voando para dentro e a porta a fechar-se com força, estava agora altamente destacada num documentário emitido por “Channel 4”, a maio de 2009, e em reconstituições posteriores, documentários e entrevistas televisivas.

As fotografias tiradas pela polícia portuguesa mostram claramente que as cortinas estão penduradas e firmemente seguradas, uma encostada à parede e debaixo da cama e a outra atrás da cadeira de braços. As dobras em cada cortina estão claramente achatadas contra a parede da mobília. Isto não podia ter acontecido devido a uma alegada rajada de vento. As cortinas têm o aspeto de terem sido colocadas deliberadamente nessa posição. E isso é exatamente o que os principais investigadores portugueses decidiram. Eles disseram que a suposta cena do crime tinha sido forjada.

Agora, vamos dar uma vista de olhos ao primeiro depoimento de Kate McCann, prestado na sexta-feira de 4 de maio, o dia após reportar o desaparecimento de Madeleine. O depoimento diz: “[Kate] entrou no apartamento pela porta lateral que estava fechada, mas destrancada conforme detrás dito e verificou desde logo que a porta do quarto dos filhos estava completamente aberta, a janela também aberta, as persianas subidas e as cortinas afastadas, quando tem a certeza de ter fechado tudo, o que sempre fez”.

Mas as fotografias do quarto das crianças, tiradas após a polícia chegar ao local, mostram as janelas fechadas. Elas são do tipo que tranca automaticamente quando elas se fecham e necessita de um dedo inserido no centro do mecanismo preto para abrir o fecho. Elas também mostram as persianas numa posição quase fechada. As fotografias também mostram as cortinas semifechadas, com a cortina esquerda um pouco mais fechada do que a direita. Vemos imediatamente como isto entra em conflito com as afirmações de Kate, de que as persianas, janela e cortinas estavam completamente abertas. No segundo depoimento de Gerry, prestado a 10 de maio, ele descreve que encontrou a janela “para um dos lados, os estores subidos, quase na totalidade, os cortinados afastados”. Novamente, podemos ver que a afirmação de Gerry de que as persianas, janela e cortinas estavam todas completamente abertas entra em conflito com o estado destes objetos quando a polícia portuguesa chegou.

No dia 6 de setembro de 2007, um dia antes de ela ter sido constituída suspeita formal pela polícia portuguesa, Kate respondeu às perguntas até ao momento em que a polícia disse-lhe que agora queriam interroga-la mais concretamente sobre os acontecimentos do dia 3 de maio. A partir deste momento, Kate McCann exerceu imediatamente o seu direito legal de permanecer em silêncio e não disse mais nada de interesse probatório. Resumindo, nas declarações iniciais dos McCanns, eles descreveram os cortinados como afastados ou completamente abertos, mas nas fotografias pertencentes à polícia, apenas estão semiabertos. Além disso, como já vimos, a janela é de correr, portanto pode ser aberta uma metade, uma delas deslizando à frente da outra. Portanto, uma rajada de vento apenas perturbaria uma cortina, não ambas. Agora examinaremos a história sobre a porta do quarto das crianças. No seu depoimento de 4 de maio, que mais tarde foi confirmado pelo Gerry, Kate McCann afirma que a porta do quarto das crianças estava completamente aberta. Mas meses depois, eles contam uma história diferente aos jornalistas. Agora dizem que a porta “estava um pouco mais aberta do que a tínhamos deixado”. É interessante notar que se nós levarmos estas palavras a sério, Kate está basicamente a dizer que não tinha a intenção de observar o quarto das crianças, até notar que a porta estava mais aberta do que a tinham deixado. 

Não é de estranhar, quando consideramos este cenário, que a equipa de investigadores portugueses pensava que havia sinais óbvios de que a cena do quarto das crianças tinha sido forjada. Se observarmos as fotografias da polícia, vemos que a cama onde a Madeleine supostamente dormia parece limpa e arrumada, com a esquina ordenadamente puxada para baixo. Não parece ser uma cama em que alguém tenha dormido nela, ou uma da qual uma criança tenha sido imediatamente arrancada. Se observarmos as cortinas, parece como se alguém as tivesse colocado entre o espaço que existe entre a cama e a parede, movendo primeiro a cama, colocando a cortina e empurrando a cama novamente contra a cortina. Aliás, embora Kate afirme que as cortinas voaram para dentro e abriram-se, nas fotografias, claramente não estão. Nem a rajada do vento nem o bater da porta foram inicialmente comentados por Kate ou por Gerry McCann. Porque é que estas afirmações apenas foram suscitadas em 2009, quase dois anos após o desaparecimento de Madeleine ter sido reportado?

Por último, como é que estava o tempo naquela noite? Havia rajadas de vento como Kate McCann afirmou? Parece pouco provável. Nós demos uma vista de olhos aos registos meteorológicos disponíveis naquela noite. Era uma noite fresca com uma ligeira brisa. Perto do aeroporto de Faro, a velocidade máxima do vento era uma leve força de grau 3. Às 22:00, o aeroporto de Faro registou uma velocidade do vento de apenas 14 km/h. Não parece ser suficientemente forte para fechar uma porta à força ou soprar uma cortina que é encontrada presa detrás de uma cama. Existe, sim, um aspeto bastante curioso sobre o tempo naquela noite. Vários amigos dos McCanns comentaram o quanto frio estava. De facto, entre as 21:00 e as 22:00, quando o suposto rapto ocorreu, a temperatura exterior era por volta de 13º C, ou seja, 55º F. Você precisaria de estar agasalhado no exterior. 

Um dos seus amigos, Jane Tanner, comentou especificamente o quanto frio estava e como ela necessitava de um casaco para sair, assim ela afirmou, para verificar as filhas delas. No entanto, estranhamente, Gerry McCann afirma nas suas declarações, que era uma noite quente. Daqui a um momento, veremos algumas declarações feitas sobre o tempo naquela noite, mas antes vamos estudar outra contradição neste caso, que já está repleto de mudanças de versões e contradições. No seu livro, Kate McCann descreve como ela e Gerry deixaram as crianças quando saíram para o bar Tapas, para reunirem-se com os seus amigos.

“Eu levei-os todos para o quarto deles. Madeleine deitou-se na sua cama e depois Amelie, Sean e eu sentámo-nos em cima, com as nossas costas viradas contra a parede, para contar a nossa história final… Depois nós beijamos os gêmeos, e beijamos a Madeleine, que já estava aconchegada com o seu cobertor de “princesa” e “Cuddle Cat” – um peluche que lhe ofereceram pouco depois de ela nascer e que acompanhou-a sempre quando ela ia para a cama”. “Aconchegar” claramente lhe faz pensar numa imagem de uma criança tapada com os lençóis e cobertores, sentindo-se quente e confortável. Você aconchega-se dentro ou abaixo de algo, mas uma página mais adiante, Kate descreve: “Gerry saiu para efetuar a sua primeira vigilância justamente antes das 21:05 a partir do seu relógio… [ele encontrou] Madeleine deitada lá, sobre o seu lado esquerdo, as pernas dela debaixo dos cobertores, exatamente na mesma posição em que a tínhamos deixado”. Portanto, quando eles saíram, Madeleine estava a dormir “aconchegada”, assim como eles a deixaram. Gerry agora diz que a encontrou a dormir “exatamente na mesma posição em que a deixámos”. 

Mas o que é que o Gerry diz? Agora diz que Madeleine estava em cima da cama, apenas com as suas pernas tapadas. Deitada sobre a cama com as suas pernas debaixo dos cobertores não pode ser descrita como “aconchegada”. Ainda mais estranho, se nós voltarmos a ver a segunda declaração de Gerry prestada à polícia, no dia 10 de maio de 2007: “ (…) relativamente à cama onde a sua filha se encontrava na noite em que desapareceu, refere que essa dormiu destapada, como era habitual quando estava calor, com a roupa dobrada para baixo”. Até mesmo dias após o desaparecimento de Madeleine, ele diz à polícia portuguesa que dormia em cima da cama porque era bastante quente. Contudo, quando Kate McCann publicou o seu livro quatro anos depois, ela conta-nos que [Madeleine] encontrava-se aconchegada na sua cama, quando deixaram as crianças e dirigiram-se para o seu jantar no bar Tapas.

Nós vimos que a temperatura entre as 20:00 e as 21:00 naquela noite era por volta de 13º C. Que outras observações os McCanns e os seus amigos fizeram sobre o tempo naquela noite? Na página 73 do seu livro: “Era bastante frio e ventoso”. A sua amiga, Jane Tanner, ao referir-se à pessoa que ela diz que viu naquela noite a transportar uma criança, ela afirma: 

Jane Tanner: Eu simplesmente pensei, 'aquela criança não tem sapatos calçados', pois conseguia-se ver os pés, e era uma noite bastante fria. Em Portugal, no mês de maio, não é muito quente, e eu levava um casaco e pensei, sabe, 'esse pai não está particularmente preparado, ao não abriga-la'. 

Narração: Na realidade, estava bastante frio. Em abril de 2008, Jane Tanner foi entrevistada novamente em Inglaterra, pela polícia de Leicestershire. Nessa entrevista, perguntaram-lhe novamente sobre o tempo naquela noite. Ela disse: “Sim, e havia algumas pessoas dentro porque estava bastante frio… era na verdade bastante, bastante frio… eu lembro-me que eu vestia, porque estava frio, eu tinha o casaco enorme de Russell, calças curtas e chinelos e, e sim, era bastante, sabe, uma espécie de frio… eu julguei que a criança poderia estar com frio… essa foi uma razão pela qual nós não abrimos as persianas para abrir a janela ou algo qualquer naquele quarto, não era quente na verdade, estava bastante nublado durante os dias e bastante frio durante as noites”. Se havia qualquer dúvida sobre o frio que estava naquela noite, e com certeza no resto da semana, o amigo dos McCanns, o Dr. Russell O’Brien disse: “As noites eram bastante frias”. Outro amigo, o Dr. Matthew Oldfield, disse: “Durante as noites, era muito frio”. A sua mulher, Rachel Oldfield, disse: “Era bastante frio durante a noite”. Outro amigo, o Dr. David Payne, disse: “Era bastante frio em algumas noites e, sabe, talvez demasiado frio para se estar de fora”. Agora, veja a declaração da sua mulher, Fiona Payne: “Continuava bastante frio”. A mãe de Fiona Payne, a avó Dianne Webster, também foi de férias com o grupo, e notou que “quando trouxeram as crianças ao nosso apartamento, teriam que sair, com o frio que estava”. Porque é que, entre o seu grupo de amigos, Gerry McCann insiste em dizer que estava quente, tanto até que Madeleine estava deitada sobre os cobertores naquela noite? Será que foi pelo facto das fotografias da polícia mostrarem uma cama com poucos sinais de que alguém tenha dormido nela, durante a noite de 3 de maio? Foi isso que ele não conseguia explicar? 

Quando Kate McCann foi chamada para interrogatório no dia 7 de setembro de 2007, apenas quatro meses após o desaparecimento de Madeleine, a primeira pergunta que lhe fizeram foi esta: “No dia 3 de maio de 2007, às 22:00, quando entrou no apartamento, o que é que você viu? O que é que fez? Onde é que procurou? O que é que manuseou?”. Ela teve uma oportunidade de ouro para contar à polícia o que ela viu e fez, mas em vez disso, ela exerceu o seu direito de não comentar. Fizeram-lhe mais 47 perguntas. Ela respondeu a todas elas, “não comento”. A última questão que lhe foi colocada foi: “Você tem consciência de que o facto de não responder a estas perguntas põe em causa a investigação, a qual procura saber o que se passou com a sua filha?”. Kate McCann respondeu a esta. Ela respondeu: “Sim, se isso é o que a investigação pensa”. Depois deste interrogatório infrutífero, a polícia portuguesa constituiu Kate arguida, “suspeita” em Inglês [Português]. 

Três dias após esse interrogatório, o inspetor-chefe do Sr. Gonçalo Amaral, Tavares de Almeida, publicou um relatório preliminar detalhado, o qual não hesitou nas palavras. Este relatório foi muito claro em sugerir que Madeleine tinha morrido no apartamento dos pais dela, e que os pais tinham encoberto a verdade, e que conspiraram para esconder o corpo. Escrevendo sobre a alegada cena do crime, ele declarou: “Há fortes indícios de que a cena do crime foi alterada, e alguns móveis foram mudados de lugar. Essas mudanças são indicações de que o rapto foi uma simulação orquestrada”. Ele também tinha algo a dizer sobre as constantes mudanças de versões, contradições e adaptações da narrativa. Numa secção intitulada “Os McCanns evoluíram a sua história de forma a adaptá-la às perguntas da polícia”, ele escreveu: “A atenção mediática que foi dada ao caso e a busca da informação pelos mencionados meios levou a uma evolução das declarações dos pais de Madeleine. Toda a informação que se tornou pública tem contribuído para que os McCanns reconstruam e adaptem a sua história de forma a encaixar eventuais perguntas da polícia. Eles têm tentado explicar as provas forenses que nós recolhemos e estamos a recolher”.

Gerry McCann: Nós tínhamos objetivos muito claros daquilo que queríamos e qualquer pai ou mãe aproveitaria a oportunidade de tentar conseguir informação para a investigação. Não há provas que Madeleine esteja morta e não há provas que nos implique na morte dela.

Legenda: “na morte dela”?

Gerry McCann: Tudo o que nós fizemos durante os últimos 100 dias está centrado… na crença que Madeleine estava viva quando ela foi raptada…

Legenda: “na crença”?

Sandra Felgueiras: Naquela noite, vocês deram aos vossos filhos algo como Calpol para os ajudar a dormir?

Gerry McCann: Não vamos comentar nada, mas nunca usámos qualquer sedativo, ou algo do género.

Entrevistadora: Como é que se sentem agora que o livro do Amaral vai estar nas livrarias aqui?

Gerry McCann: Sim, bem, sabe, já tem sido mencionado a qualquer pessoa que queira convencer os outros que Madeleine está morta, sem provas que corrobore…

Entrevistadora: Podem pôr as pessoas a par da situação em que estão agora? Têm alguma pista nova? O que está a ocorrer na vossa investigação?

Gerry McCann: Bem, eu gostaria de dizer-lhe que temos sim algumas pistas muito fiáveis, mas, quero dizer…

Entrevistador: Quando vocês souberam que a polícia tinha descoberto sangue no apartamento, como reagiram?

Gerry McCann: Sabe que mais... tudo isto é sobre a investigação, e o que têm de fazer é falar com a polícia. Todas as vossas perguntas são sobre a investigação e nós não podemos comentar esses assuntos.

Justine McGuiness (?): Gerry, senta-te…

Gerry McCann: Nós não podemos a responder a perguntas deste género.

Justine McGuiness (?): Eles querem que tu digas que apenas se trata de especulações...

Narração: No próximo filme, nós iremos ver mais contradições, e também o trabalho de dois cães farejadores.
 
ENTERRADA PELA COMUNICAÇÃO SOCIAL: A Verdadeira História de Madeleine McCann

Por Richard D. Hall

UMA PRODUÇÃO DE RICHPLANET
POR FAVOR DISTRIBUA LIVREMENTE
 
Para doar, visite: www.richplanet.net/donate
 
“O segredo para a descoberta é nunca acreditar factos existentes”
- Bryant H. McGill
 
Para mais informações e links sobre este caso, por favor visite
www.richplanet/madeleine


END OF "Initial Storm"

____________________
"The shoes were black in colour and classic in style" - Jane Tanner's May 4th statement

"I mean, seriously, how often do you really look at a man's shoes?" - Red from The Shawshank Redemption (1994)
Paulo Alexandre
Paulo Alexandre
Forum support

Posts : 924
Activity : 1079
Likes received : 151
Join date : 2019-05-04

Back to top Go down

Buried by Mainstream Media - Transcripts (Portuguese) Empty Re: Buried by Mainstream Media - Transcripts (Portuguese)

Post by Paulo Alexandre 10.01.21 17:28

Os Cães Não Mentem (Dogs Don't Lie)

Parte 1

Narração: Eu disse que iríamos dar uma vista de olhos às mudanças de versões dos McCanns. Agora, eu foco-me numa das muitas contradições na versão dos McCanns. Novamente, está relacionada com o primeiro dia, 3 de maio de 2007. E é uma contradição muito significativa, porque tem a ver com a última vez que Madeleine foi vista por alguém a não ser os McCanns.
A versão dos McCanns é que eles levaram os seus filhos para a cama entre as 19:00 e as 20:00, naquela noite. Depois, com as crianças já a dormirem, assim o afirmaram, abriram uma cerveja e uma garrafa de vinho, antes de se dirigirem para o restaurante Tapas, por volta das 20:30, para jantarem com os seus amigos.

O resto dos eventos da noite foi escrito num cronograma por um dos amigos dos McCanns, Russel O’Brien. Pouco depois, ele produziu um segundo cronograma ligeiramente diferente. Estranhamente, estes cronogramas foram escritos numa página arrancada de um livro de atividades que pertencia a Madeleine, o qual os McCanns tinham dado a Russell O’Brien. Parece incompreensível que eles trataram o precioso livro de atividades da sua filha de forma tão despreocupada.

Mas o que faremos agora é examinar um evento que se alega ter acontecido justamente antes dos McCanns levarem os seus filhos para a cama. Um dos seus melhores amigos, o Dr. David Payne, afirma ter visto a Madeleine e as outras duas crianças meia hora antes disso, entre as 18:30 e as 19:00. Esta visita, se aconteceu mesmo, é muito significativa. Para os McCanns, isto provaria que a Madeleine estava viva durante este período de meia hora. Os McCanns admitiram que eles foram as últimas pessoas a ver a Madeleine com vida, mas se havia alguma dúvida de que Madeleine estava viva naquela tarde, então uma declaração de um amigo médico de que ela realmente estava viva entre as 18:30 e as 19:00, os ajudaria indiscutivelmente. E de facto, nesse preciso momento, justamente após os McCanns terem sido declarados suspeitos, David James Smith, no “The Times”, a 9 de setembro, escreveu: “Na tarde de 3 de maio, a última vez que Madeleine foi vista por alguém a não ser os McCanns foi por volta das 19:00, assim que o grupo deitava as crianças”. Essa referência era dirigida ao amigo íntimo dos McCanns, o Dr. David Payne. Este artigo importante apareceu na comunicação social a 24 de setembro de 2007.

O “Daily Mail” publicou um artigo importante – McCanns: O que realmente aconteceu nas 6 horas desaparecidas de Madeleine? – pelos seus correspondentes Sam Green Hill e Paul Harris, alojados em Praia da Luz, e Dan Newlin. Fugas emergiram da polícia portuguesa, revelando que haviam lacunas na versão prestada pelos McCanns sobre o que ocorreu durante aquela tarde e o início da noite do 3 de maio, o dia em que foi reportado o desaparecimento de Madeleine. A imprensa escrita publicou histórias sobre as “6 horas desaparecidas”. O “Daily Mail” afirmou que era “a primeira versão completa do último dia de Kate e Gerry McCann com a sua filha, uma cronologia emocionante de um dia de verão que tornou-se em tragédia e luto”. Essa afirmação não era verdadeira. Nem era uma versão completa nem uma versão correta. Para começar, a chamada “versão completa” omitiu por completo qualquer referência à suposta visita do Dr. Payne ao apartamento dos McCanns, que se alega ter ocorrido entre as 17:50 e as 18:00, durante aquela tarde. A informação do “Daily Mail” dizia: “Os McCanns jogaram ténis durante a tarde, enquanto Madeleine regressava à creche. Madeleine teve um lanche ajantarado às 17:30 com as funcionárias no clube das crianças. Ela foi recolhida um pouco antes das 18:00 por Kate e Gerry. Após Kate e Gerry terem regressado a casa, eles preparam os miúdos para dormirem e arranjaram-se para sair para jantar.”

Essa informação é significativa, já que não existe nenhuma menção da visita de David Payne ao apartamento dos McCanns. Não diz nada sobre o Gerry McCann a jogar ténis às 18:30, como se afirma noutras informações. O artigo do “Daily Mail” dá a impressão de que a família McCann regressou a casa às 18:00, meteram os seus filhos na cama, arranjaram-se para sair e dirigiram-se para o jantar, o qual ocorreu, segundo eles, cerca das 20:30. Se nós também trazermos o testemunho de Fiona Payne, a mulher de David Payne, surgem ainda mais contradições. Ela garante que foi ao apartamento dos McCanns às 19:00, e que o seu marido, o Dr. David Payne, reuniu-se com ela nesse lugar 10 minutos depois. Não há menção deste detalhe em qualquer outra parte. Além disso, o Dr. Payne garante no seu depoimento que a sua mulher não estava no apartamento, e para além do mais, ele estava a jogar ténis desde as 19:00 até às 20:00. Outro membro do Tapas 7, o Dr. Matthew Oldfield, também diz que ele, Russell O’Brien e David Payne estavam todos a jogar ténis desde as 18:00 até às 19:00, descredibilizando por completo o testemunho do Dr. Payne sobre a sua alegada visita a Kate. Mais confuso do que isso, ele diz que nessa altura, Gerry, Kate e as três crianças estavam no campo de ténis, com a Kate e as três crianças a verem o Gerry. Isto contradiz a afirmação dos McCanns de que todos eles tinham regressado ao apartamento 20 minutos antes.

Comecemos a nossa análise deste suposto evento com o depoimento do Dr. David Payne. Ele foi entrevistado pela primeira vez pela polícia portuguesa às 11:45 na sexta-feira de 4 de maio, o dia após ter sido reportado o desaparecimento de Madeleine. Isto é tudo que ele diz nessa ocasião:

“No que diz respeito à noite de ontem, esclarece que ele, na companhia da sua mulher e sogra, chegou ao referido restaurante cerca das 20H55. Que quando chegou, e segundo recorda, já estavam no restaurante todos os elementos do grupo, exceto as crianças, as quais já estariam nos respetivos quartos a dormir. Sabe que, durante o jantar, o Gerry, a Jane e o Matthew, dirigiram-se alternadamente aos quartos para verificar se as crianças estavam a dormir. Julga que terão entrado fisicamente nos quartos. Ele não se lembra em que ordem eles terão ido aos apartamentos.”

Portanto, absolutamente nada acerca de ter visto a Madeleine viva entre as 18:30 e 19:00. Parece que David Payne pode ter prestado um ou mais depoimentos escritos à polícia posteriormente, tendo sido entrevistado pela polícia de Leicestershire. Nenhuma destas declarações pode ser encontrada nos documentos tornados públicos em 2008 pela polícia portuguesa. O seguinte e-mail importante foi enviado no dia 24 de outubro de 2007 pelo detetive Mike Marshall da polícia de Leicestershire ao Ricardo Paiva da polícia portuguesa. Diz o seguinte:

“Ricardo, em anexo, seguem os depoimentos da Arul e Katherina Gaspar, tal como foi solicitado. Li cuidadosamente o questionário escrito, facultado por David Payne, mas não consegui extrair quaisquer outras informações, para além das que são já conhecidas. [Payne] declara que viu Madeleine, pela última vez, às 17h00 do dia 3/5/07 no apartamento dos McCanns. Igualmente presentes, então, estavam Kate e Gerry. Não disse o motivo pelo qual se encontrava no apartamento nessa altura ou o que estavam a fazer. De forma idêntica, também não diz quanto tempo lá permaneceu. Quando lhe foi perguntado com quem esteve no final da tarde do dia 3 de Maio, declara que, a este respeito, já forneceu as informações à polícia e que não consegue lembrar-se se tinha a noção de mais alguém. Não se lembra do que trazia vestido nessa tarde.”
 
Portanto umas declarações interessantes aqui, de uma força policial a outra. Veremos a importância que têm, ao investigar esta suposta visita detalhadamente.

Payne disse à polícia:

  1. Que viu a Madeleine por volta das 17:00
  2. Kate e Gerry estavam presentes quando ele viu a Madeleine

Ele mudou completamente esta declaração em testemunhos posteriores, quando disse que foi às 18:30 e que o Gerry não estava lá. Numa declaração bastante simples, o detetive Marshall também nos disse que Payne não sabia porque é que tinha ido lá, não fazia ideia do que estava a fazer lá, e que não fazia ideia quanto tempo ficou.

Quase um ano após o desaparecimento de Madeleine, o Dr. Payne foi entrevistado novamente pela polícia de Leicestershire. Eles realizaram o que é conhecido como uma “entrevista rogatória”. Foi levada a cabo por agentes da polícia britânica, seguindo-se o que são conhecidas como “cartas rogatórias” enviadas ao Ministério do Interior, pedindo à polícia britânica que interrogasse testemunhas. O detetive Messiah levou a cabo a entrevista na sede da polícia de Leicestershire, em Enderby, a 11 de abril de 2008, começando às 10:26.

Começa com uma descrição dele de como ele se encontrou com alguns amigos para um lanche, segundo ele, no restaurante Paraíso. Nós sabemos através de imagens de uma câmara de vigilância que isto ocorreu mais ou menos entre as 17:30 e as 18:00. Aqui está um parágrafo importante do seu testemunho, retirado diretamente da transcrição desta entrevista:

“Err, eu estava a velejar, eu devia ter estado a velejar durante algumas horas, vi o Matt e o Russ no barco e após terminarmos, nós, sabe, encontrámo-nos na praia, brincámos com as miúdas na praia e depois fomos ao, err, restaurante que estava no, err, com vista para a praia e sabe, tivemos, err, o lanche aí. Err, após termos lanchado, nós comprámos gelados e depois, err, decidimos que iríamos lá acima e jogar ténis, portante eu saí, err, com o, err, Russell, nós deixámos as, err, as miúdas no restaurante e depois fomos lá para cima para o, err, de volta ao Ocean Club. Err, eu, tal como eu disse, eu não tenho certeza, sabe, o que aconteceu com o Matt e o Russell nesse momento, mas eu lembro-me na altura que eu fui lá para ver, err, o Gerry nos, err, campos de ténis, apenas para ver, sabe, o que estava a acontecer, e err, decidimos que nós, sabe, iria regressar para jogar ténis e err, o Gerry pediu-me para dar uma vista de olhos e verificar se estava tudo bem, err, com a Kate ou, sabe, novamente, eu não me lembro da razão exata, se é que ele estava a certificar-se que estava tudo bem e que podia ficar lá, sabe, por um pouco mais tempo, mas, sabe, ele pediu-me para verificar. Portanto eu saí dos campos de ténis, err, e fui ao, err, sabe, apartamento de Kate e Gerry e as horas, sabe, que se observam, sabe, nós obviamente vimos as fotografias desde então e, sabe, as horas que temos é que eu fui, sabe, ao apartamento de Kate por volta das 18:30, err e eu fui ao apartamento através das portas do pátio. As três crianças estavam todas vestidas e, sabe, com os seus pijamas, sabe, elas pareciam imaculadas, sabe, elas simplesmente pareciam anjos, elas pareciam tão felizes e bem tratadas e contentes e eu disse a Kate, sabe, ‘é um pouco cedo para os três irem para a cama’, e ela disse, ‘ah, eles divertiram-se imenso, eles estão muito cansados’, e sabe, eu digo, sabe, eu não me consigo lembrar exatamente o que, o que, sabe, o que as crianças tinham vestido mas o branco é a cor, err, predominante, mas sabe, apenas para realçar que elas estavam muito felizes, sabe, obviamente o Gerry não estava lá mas eles estavam tão tranquilos e, sabe, eles pareciam uma família que se tinha divertido muito e, err, sim, depois eu saí de lá, fui e busquei as minhas coisas, regressei ao campo do ténis e depois, err, estava eu, o Matt e o Russell e penso que Gerry jogou um bocado, durante algum tempo, mas ele decidiu que ele tinha jogado ténis suficientemente naquele dia e err, estava a regressar e portanto fiquei só eu, o Russell e err, o Matt e err, o Dan que era o, sabe, o treinador de ténis do Mark Warner.”

Este depoimento é bastante hesitante. Não flui da mesma maneira como se alguém tivesse a dizer a verdade. Ele dá a aparência de pensar muito em cada declaração antes de a fazer. Embora muitos de nós utilizamos “emms” e “errs” quando falámos, às vezes para termos tempo para pensar, esta curta passagem é notável, pois inclui 30 “errs” e 27 “sabes”. Também temos várias declarações de dúvida, “eu acho", "não tenho a certeza", "não me lembro”, mas vamos estudar as coisas essenciais que ele diz. Estas são:

  1. Ele reúne-se com Gerry McCann nos campos de ténis
  2. Gerry McCann pede-lhe para visitar a Kate, ele não se consegue lembrar porquê
  3. Era por volta das 18:30
  4. Ele entrou pela porta do pátio
  5. As três crianças estavam todas com o pijama vestido, que era principalmente de cor branca, prontas a irem para a cama
  6. Kate e as crianças pareciam todas muito felizes
  7. Ele regressou ao campo de ténis
  8. Ele jogou com o Gerry durante um curto tempo, e depois o Gerry deixou de jogar, como já o tinha feito suficientemente naquele dia

O agente da polícia pergunta-lhe como é que ele se encontrou com Gerry nos campos de ténis e sobre o Gerry a pedir-lhe que visitasse Kate. Payne hesita ainda mais:

“E o que fazia o Gerry?"

“O Gerry tinha estado a, sabe, a jogar, sabe, ténis, ele estava a ter uma boa partida e penso que havia, sabe, e haviam outros jogadores que tinham ido especificamente passar umas férias no Mark Warner para jogar ténis e, sabe, Gerry estava, sabe, a tirar proveito da semana com o ténis e fez amizades com essas pessoas e estava a divertir-se com eles. Err, portanto sabe, ele estaria basicamente a jogar ténis.”

“Sim, e quando é que tiveste a conversa com ele? Ele parou o jogo ou falaram enquanto ele jogava?”

“Eu não me lembro, eu não me lembro. Eu… sabe, pelo que me lembro, sabe, ele parou de jogar e, sabe, mas não me consigo lembrar, para ser honesto.”

“E durante quanto tempo ficaste e viste o jogo?”

“Err… tudo o que eu me lembro é que estava a ter, sabe, uma breve conversa com o Gerry, err…. sabe, e depois eu, sabe, regressei, e eu não fiquei lá durante muito tempo na verdade, por causa do tempo, sabe, a voar… err…. mas novamente, estas são, sabe…”

Como podemos ver, ele não consegue lembrar-se exatamente como esta suposta conversa com o Gerry McCann ocorreu nem ele diz quem é que estava a jogar ténis com o Gerry durante esta hora. O agente da polícia pressiona-o sobre o momento em que Gerry pede a Payne para que visite a Kate.

“Ok, e em que altura é que Gerry disse-te para ires e, ‘importas-te de verificar a Kate’?”

“Bem, quero dizer, ao regressar da praia, eu não tinha equipamento para jogar ténis, sabe, etc., portanto tive de voltar ao meu quarto para mudar de roupa e vestir algo mais apropriado para jogar ténis, e err… portanto ele sabia que eu iria passar por ele, portanto ele disse, ‘oh, porque é que’, sabe, ‘não dás uma vista de olhos enquanto vais lá cima’, portanto foi quando fui buscar as minhas coisas.”

“Certo, portanto passaste por, tu passaste pelo apartamento do Gerry para ir ao teu. Mudaste de roupa…”

“Pelo que me lembro, foi na ida aos apartamentos eu visitei a Kate, mas podia ter sido ao regressar, novamente, peço desculpa…”

“Não, está tudo bem.”

“… pela minha imprecisão.”

“Mas de qualquer forma, tu deverias de ter passado, porque vais pelo lado da estrada, não vais?”

“Sim.”

“Portanto terias de passar pelo apartamento do Gerry.”

“Sim.”

“Pela porta principal duas vezes, não terias?”

“Sim.”

“Certo?”

“Portanto, a razão pela qual eu penso que foi mais provável que a visita tenha ocorrido a caminho dos apartamentos é porque eu tinha chamado pela porta do… err, do pátio, fez mais sentido que eu teria de entrar pelo portão e depois subir para onde estavam as portas deslizantes, para dizer, “aqui estou”, em vez de ir lá cima ao meu apartamento, descer novamente, passar pelo apartamento e depois entrar pelas portas deslizantes.”

“Sim.”

“Porque o que teria feito é que teria trocado de roupa e descido as escadas e depois batido na porta principal porque isso, sabe, faria mais sentido, em vez de ir dar uma volta inteira e…”

“Sim, é claro.”
 
“Portanto faz mais sentido que foi, que foi no caminho até lá.”
 
Analisando isto, ele é extraordinariamente vago sobre a sequência dos factos, mas ele acaba por dizer que após falar com o Gerry, ele subiu as escadas que levam ao apartamento dos McCanns, depois entrou pela porta aberta dos pátios para ver a Kate e as crianças, depois saiu, passou pela porta principal do apartamento dos McCanns, vestiu o seu equipamento de ténis, depois regressou, passando novamente pela porta principal do apartamento dos McCanns e chegou ao campo de ténis, onde o Gerry continuava a jogar. Depois há um parágrafo onde a polícia pede a Payne para que se lembre com precisão do que ocorreu quando ele foi ao apartamento dos McCanns. É assim que ocorre a entrevista:

“Eu só quero revisitar o ir e o ver a Kate, antes de continuarmos. Certo, e a razão pela qual eu deixei-a separada é porque eu quer que tu penses e imagines, lembra-te do que vistes. Abriste a porta, a deslizante, ou já estava aberta, ou…”

“Err, eu acho que já estava aberta, eu acho que já estava aberta. Err, sabe, como eu disse, eu fui lá, Kate parecia, sabe, bastante relaxada e, err… eu disse-lhe algo, eu disse… ‘bem, bolas, é cedo, cedo para eles se vestirem para irem para a cama’, e como eu disse, ela disse, ‘ah não, eu tive uma boa manhã e tarde’, err… portanto, sabe, e Gerry tinha acabado de jogar ténis e err… sabe, ‘vou tentar e deitá-los na cama’ e como eu disse, nós estávamos, sabe… eu, eu sei que parece bizarro mas eu simplesmente olhei para os três e eu não conseguia, sabe, eles estavam muito bem vestidos e tão limpos e imaculados, era… sabe, eu estava… e eles pareciam crianças bastante saudáveis, não há algo tão normal…”

“Sim.”

“… que despoleta na minha memória dessa forma, mas era o quanto bem vestidos eles estavam e err…”

“Tenta lembrar-te onde eles estavam no apartamento.”

“A altura em que estive lá… sabe, todos eles… err, todas as crianças e a Kate estavam na… err… assim que você vai pelas portas do pátio… sabe, eles estavam na área a seguir, sabe, à sua frente… err… essa era a área onde eles, sabe, onde os vi, portanto eu não, eu não fui mais além no apartamento, sabe… era apenas uma conversa que eu tipo, entrei pelo, sabe, pelas portas francesas, eu entrei na sala de estar, sabe… a área aberta e… err… sabe, tive uma curta conversa… sabe… começou ao falar acerca da… o quanto bem vestidos eles estavam e é cedo demais para pô-los na cama e depois eu disse, ‘o Gerry acabou o jogo, nós vamos lá jogar um pouco de ténis’, eu provavelmente disse, ‘há algum problema com isso?’ e ela disse, ‘ah não, tá tudo bem, continua’… e talvez um pouco mais de conversa… err… mas sabe, não estive lá durante muitos minutos.”

“Sim.”

“Mas… err… certamente tempo suficiente para ver, sabe, certamente o apartamento, não havia nada desagradável, que estava, sabe, err… as crianças pareciam todas extremamente felizes, não havia nenhum sinal de qualquer problema com, sabe, a Kate, sabe ou de facto, a relação que Kate tinha com cada uma das três crianças. Nenhuma das crianças tinha sido repreendidas, nenhuma delas tinha a aparência de que tinha feito asneiras, sabe, elas continuavam… err… a conversar e a brincar. Err, portanto sabe, foi simplesmente uma… err… breve, sabe, que eu tinha estado lá, mas como eu disse, impressionou-me a maneira como elas pareciam."

“Sim.”

“E suponho que “contente” é outra palavra a usar.”

“Entraste de facto no apartamento?”

“Eu entrei, sim.”

“Ou tiveste a conversa pela porta?”

“Não, sem dúvida que estive dentro do apartamento, mas sabe, se foram dois ou três passos além ou, sabe, sejam lá quantos foram, mas sem dúvida que estive dentro do apartamento."

“Ok, agora vou tentar e pedir-te para te lembrares do que todos tinham vestido.”

“Eu receio que isso é… sabe… eu, eu não me consigo lembrar. Você julgaria que isso seria uma coisa óbvia de se recordar, eu não me lembro. Na perspetiva das crianças, o que eu me consigo lembrar predominantemente era o, sabe, o branco, mas não consigo dizer exatamente o que elas tinham vestido.”

“Mas consegues lembrar-te do que Kate tinha vestido, por exemplo?”

“Não consigo, não.”

“E observaste mesmo cada criança?”

“Eu vi as três crianças, sim.”

“E estavam de pé ou sentadas?”

“Err… no geral, elas estavam de pé, sim.”

“Elas reconheceram-te?”

“Err… oh sim! Sabe… eu tenho a certeza de que se as perguntasse, sabe, sobre aquela tarde ou o dia seguinte, elas diriam todas que sim, eu visitei-as. Sabe, eu… sabe… eu conhecia as crianças bastante bem, nós encontrámo-nos várias vezes antes… err… sabe eu… sabe, novamente, eu brincava com a Madeleine, sabe… no recreio, err, sabe, durante aquela semana, sabe, a levantá-la e tudo isso, eu conhecia-a bastante bem, sabe, para fazer isso, e como eu disse… err… ela sabia perfeitamente quem eu era e certamente, como eu disse, para realçar que ela parecia bastante feliz.”

“Sim. Foi essa a última vez que viste a Madeleine?”

“Foi.”

“Quantos minutos, tu disseste que foi uma questão de minutos e depois regressaste e jogaste ténis.”

“Eu vou fazer com que sejas específico e perguntar-te quanto tempo achas que tiveste dentro do apartamento. Eu sei que disseste minutos.”

“No apartamento deles, era, era, eu diria 3 minutos, 5 no máximo.”

“De 3 a 5.”

“Sim.”

“Assim que recuas para fora, deixaste as portas abertas ou fechaste-as?”

“Err… eu não me lembro. Sabe, novamente, eu tinha a, pelo que me lembro, as portas estavam abertas quando eu entrei e eu provavelmente teria saído da mesma forma, sabe, continuava, quero dizer… continuava relativamente agradável no exterior, havia luz e tudo, portanto… err… sabe… eu, eu, se eles mantiveram a porta aberta, é muito bom quando é ao fim da noite, sabe, desculpe… ao fim da tarde, mas para ser perfeitamente honesto, a resposta a essa questão é, ‘eu não me consigo lembrar’.”

“Ok. Portanto, tu regressaste e depois jogaste, jogaste uma partida durante uma hora, por volta disso.”

continued in next part...

____________________
"The shoes were black in colour and classic in style" - Jane Tanner's May 4th statement

"I mean, seriously, how often do you really look at a man's shoes?" - Red from The Shawshank Redemption (1994)
Paulo Alexandre
Paulo Alexandre
Forum support

Posts : 924
Activity : 1079
Likes received : 151
Join date : 2019-05-04

Back to top Go down

Buried by Mainstream Media - Transcripts (Portuguese) Empty Re: Buried by Mainstream Media - Transcripts (Portuguese)

Post by Paulo Alexandre 10.01.21 17:48

Os Cães Não Mentem (Dogs Don't Lie)

Parte 2

Narração: Novamente, ele dá respostas longas e incoerentes a perguntas bastante simples, como “onde estavam as crianças dentro do apartamento?” e “elas reconheceram-te?”. De novo, temos um execesso de “errs”, 35 e notavelmente, 56 “sabes”, nesse pequeno excerto da entrevista. Para além disso, muitos “como eu disse” ou “quero dizer”. Responde a várias perguntas com “não me consigo lembrar” ou “não me lembro”, mas agora vamos comparar a versão do Payne sobre este suposto encontro com o que Kate disse publicamente sobre o mesmo. Para que recordemos, Payne deixou estes pontos bastante claros: ele entrou pela porta do pátio, que provavelmente estava aberta, entrou no apartamento, viu a Kate e as três crianças e ficou lá de 3 a 5 minutos. Portanto, qual é a versão de Kate sobre este encontro? Quando foi entrevistada a 4 de maio, o dia após ter sido reportado o desaparecimento de Madeleine, ela disse isto acerca do período entre as 17:00 e as 20:30.

“… cerca das 17:00/17:30, [as crianças] jantavam no bar, sob o olhar atento dos pais. Após o jantar das 17:00, davam-lhes banho, preparavam-nas para a noite e brincavam alguns instantes numa área de recreio junto às pistas de ténis, sempre e mais uma vez vigiadas pelos pais. Pelas 20:00, as crianças eram deitadas até à manhã seguinte onde se iniciava a rotina descrita.”

Portanto, neste momento, não existe nenhuma menção da suposta visita de David Payne ao seu apartamento, mas o Gerry menciona-a no seu depoimento prestou à polícia portuguesa, no dia 10 de maio.

“Durante a tarde desse dia, os restantes elementos do grupo, incluindo as crianças, foram à praia, tendo regressado pelas 18:30, altura em que viu o David Payne junto ao court de ténis. O David foi visitar a Kate as crianças e regressou perto das 19:00, tentando convencer o depoente a continuar a jogar ténis, ao que não acedeu, em virtude de já se encontrar a jogar à cerca de uma hora e ter de regressar para junto da sua esposa. Ainda assim, Russell, David e Matthew ficaram a jogar.”
 
Ele não explica porque é que David Payne foi ver a Kate. Ele diz que David Payne saiu do campo de ténis por volta das 18:30 e regressou meia hora depois.

Kate não volta a prestar depoimento à polícia portuguesa até 6 de setembro. Isto é o que ela disse nessa ocasião:

“Enquanto as crianças comiam e viam uns livros, a [Kate] aproveitou para tomar duche, o que durou cerca de 5 minutos. Terminada a higiene, pelas 18:30/18:40, e quando ainda se secava, ouviu alguém a bater à porta da varanda. Embrulhou-se numa toalha e foi ver quem era à porta da varanda, que estaria fechada mas não trancada, já que o Gerry terá por ali saído. Verificou que era o David Payne, até porque esse a chamou e terá aberto ligeiramente a dita porta. A visita do David foi para a ajudar a [Kate] a levar as crianças para a área do recreio. Quando o David regressou da praia, esteve com o Gerry, nos campos de ténis, o qual lhe disse para ir ajudar a [Kate] com os filhos no transporte para a zona de recreio, o que estava previsto, mas não foi executado. O David esteve no apartamento cerca de 30 segundos, nem chegou efetivamente a entrar na casa, ficou pela porta da varanda.”

Segundo ela, ele depois partiu para os campos de ténis, onde estava o Gerry. As horas eram por volta das 18:30/18:40. Após o David sair, a Kate vestiu-se e sentou-se com as crianças, com a Madeleine sentada no colo dela.

Vamos ver as contradições em ambas versões – Payne disse que entrou pela porta do pátio que estava aberta; Kate disse que a porta estava fechada, mas que Payne abriu-a ligeiramente. Payne disse que entrou sem chamar; Kate diz que ouviu alguém a tocar na porta do pátio. Payne disse que Kate estava vestida; Kate diz que tinha acabado de sair do duche e apenas estava embrulhada numa toalha. Payne diz que entrou no apartamento; Kate diz que ele não entrou, e que permaneceu na porta da varanda. Payne diz que esteve dentro do apartamento entre 3 e 5 minutos; Kate diz que ele não estava “dentro”, mas sim “no” apartamento e apenas durante 30 segundos. Payne diz que viu as três crianças; Kate não menciona isso.

São 6 diferenças significativas no total. Acrescentando a hesitação óbvia de David e a sua evasão e a sua dificuldade aparente em responder perguntas diretas e lembrar-se, depois adicionando o facto de que quando foram interrogados a 4 de maio, nem o Payne nem a Kate McCann mencionaram esta alegada visita, suspeitas claramente se suscitam de que esta visita possa não ter acontecido e que podia ter sido inventada para provar que Madeleine estava viva às 18:30 naquele dia. No entanto, à parte das dúvidas que já examinamos, existe outro aspeto desta alegada visita que temos de analisar, e são as razões declaradas por todos os intervenientes pelas quais o David Payne alegadamente visitou a Kate as crianças.

Comecemos pelo depoimento prestado por Gerry McCann à polícia quando foi declarado suspeito.

“No que se refere ao episódio em que falou com o David, no dia 3 de Maio, disse que se encontrava a jogar ténis, pelas 18H30, quando aquele surgiu junto ao campo de ténis, e pela rede lhe perguntou se ia continuar a jogar. O respondente disse não saber, pois a Kate poderia necessitar de ajuda para cuidar dos três filhos, até porque faziam tenção de os trazer até à zona de recreio, após os duches. Pensa que o David se terá oferecido para verificar se a Kate necessitava de ajuda, o que fez, tendo regressado minutos depois. No atinente ao seu depoimento anterior, no qual diz que o David regressou meia hora depois, pelas 19H00, disse que esse terá sim regressado ao campo de ténis decorrida meia hora, sendo que este hiato temporal se refere à segunda vez que regressou ao campo de ténis, após se equipar para o jogo.”
 
Portanto, interpretando o que Gerry disse aqui, a conversa deve ter ocorrido mais ou menos assim:

Payne: Vais continuar a jogar?
Gerry: Não tenho a certeza, Kate pode precisar de ajuda. Vamos trazer as crianças aqui após os duches, para verem o jogo.
Payne: Ok, eu irei dar uma vista de olhos.

Antes de ver o que outros disseram sobre esta alegada conversa entre Gerry e Payne, existe outra contradição que devemos destacar.

No dia 10 de maio, Gerry tinha dito claramente à polícia que Payne tinha estado ausente durante meia hora, desde as 18:30 até às 19:00. Agora ele muda esta versão. Desta vez, ele tenta dizer que Payne regressou duas vezes. Ele diz que Payne regressou uma segunda vez “após se equipar para o jogo”. Mas como vimos acima, isso não é efetivamente o que Payne disse. Ele explica claramente que ele vinha do campo de ténis para se equipar. Ele diz que não se recorda se foi ver a Kate antes ou depois de se equipar. Ele decidiu que foi na ida aos apartamentos que deve ter visitado a Kate. Portanto, esta é a versão de Payne sobre os factos: Ele saiu do campo de ténis, foi ver a Kate, foi ao seu apartamento para se equipar e depois regressou para jogar ténis. Noutras palavras, ele regressou uma vez, não duas como o Gerry afirma agora. As duas versões não podem ser reconciliadas.

Antes de deixarmos este tópico, mais contradições surgem quando examinamos as razões dadas para a visita de Payne a Kate. O assunto desta suposta visita de Payne a Kate McCann surgiu pela primeira vez em setembro de 2007, quatro meses após o desaparecimento de Madeleine, quando alguns jornais britânicos começaram a fazer referência às 6 horas desaparecidas, um intervalo entre o meio-dia e a primeira hora da noite, quando era incerto o que os McCanns e os seus amigos faziam. A equipa McCann respondeu rapidamente, fazendo várias declarações sobre esta alegada visita do Dr. David Payne. Nem Kate nem Gerry McCann mencionaram a alegada visita de Payne nas suas primeiras declarações no dia 4 de maio. No entanto, Gerry McCann mencionou-a na sua segunda declaração à polícia no dia 10 de maio. Ele simplesmente disse que David Payne foi visitar a Kate às 18:30, regressou ao campo de ténis às 19:00 e tentou convencer o Gerry a continuar a jogar ténis. Gerry diz no seu depoimento inicial: eu estive a jogar há quase 1 hora, eu tive de regressar para junto da minha mulher. Portanto, o Gerry não nos diz nada sobre o propósito desta visita, apenas que Payne foi visitar a Kate. Kate McCann foi interrogada pela polícia portuguesa a 6 de setembro. Este foi o interrogatório anterior ao último, onde lhe mostraram vídeos dos alertas dos cães de cadáver.

Nesse interrogatório, ela exerceu o seu direito de permanecer em silêncio, mas a 6 de setembro de 2007, ela respondeu às perguntas e isto foi o que ela disse à polícia portuguesa:

“Enquanto as crianças comiam e viam uns livros, a [Kate] aproveitou para tomar duche, o que durou cerca de 5 minutos. Terminada a higiene, pelas 18H30/18H40, e quando ainda se secava, ouviu alguém a bater à porta da varanda. Embrulhou-se numa toalha e foi ver quem era à porta da varanda, que estaria fechada mas não trancada, já que o Gerry terá por ali saído. Verificou que era o David Payne, até porque esse a chamou e terá aberto ligeiramente a dita porta. A visita do David foi para a ajudar a [Kate] a levar as crianças para a área do recreio. Quando o David regressou da praia, esteve com o Gerry, nos campos de ténis, o qual lhe disse para ir ajudar a [Kate] com os filhos no transporte para a zona de recreio, o que estava previsto, mas não foi executado. O David esteve no apartamento cerca de 30 segundos, nem chegou efetivamente a entrar na casa, ficou pela porta da varanda. Este dirigiu-se então, segundo ele, para os campos de ténis (…) ”

Isso é diferente do que Payne contou à polícia de Leicestershire. Ele disse, “eu não me consigo lembrar da razão exata” se estava apenas a certificar-se se não havia problema em Gerry ficar nos campos de ténis. Noutras palavras, segundo o Payne, o Gerry supostamente pediu-lhe para ir ao seu apartamento e perguntar à Kate, “o Gerry pode ficar nos campos de ténis?”

O primeiro artigo na imprensa da alegada visita de Payne ao apartamento dos McCanns dizia o seguinte: “Foi relatado que o Sr. Payne estava a jogar numa competição de ténis, a qual incluía o Gerry, nas primeiras horas da tarde de 3 de maio. Tem havido alegações de que quando ele foi eliminado da competição, Gerry pediu-lhe para que fosse ao apartamento deles e verificasse a Kate. Os relatos dizem que o Sr. Payne viu a Madeleine a ser deitada na cama pela Kate às 18:30”. Se isto é verdade, isto faria com que David Payne fosse a última testemunha independente a ter visto Madeleine antes do seu desaparecimento. Aqui se oferece uma terceira razão para a visita de Payne: desta vez, é para verificar a Kate, não para ajudá-la a levar as crianças à zona do recreio nem para ver se Kate permitia que Gerry continuasse a jogar ténis. Mas agora repare em mais contradições – afirma-se aqui que Gerry foi “eliminado da competição”. Nas suas declarações à polícia, ele não diz nada sobre uma competição, certamente nada sobre ter sido eliminado de qualquer coisa. A 16 de dezembro de 2007, David James Smith escreveu um artigo arrogante sobre o caso McCann, gabando-se de como tinha a verdadeira história do que realmente aconteceu a Madeleine, por parte do próprio Gerry McCann. Ele escreveu: “Gerry fez o aquecimento no início da sessão de exercícios de ténis às 16:30, mas tinha decidido não exacerbar uma lesão no seu tendão de Aquilles, portanto ele saiu do jogo e esperou à beira dos campos”. O que é que acreditamos? Que às 16:30, ele estava demasiado lesionado para jogar ténis, ou que às 18:30, duas horas depois, ele jogava alegremente numa competição de ténis? Provavelmente nenhuma destas afirmações é verdadeira.

Vamos ver outro ponto desta afirmação em concreto na comunicação social. O artigo afirma que o Sr. Payne viu Madeleine a ser deitada na cama. Viu-a a ser deitada na cama. O Dr. Payne não diz isso. Kate McCann não diz isso. No entanto, ali está em branco e preto na imprensa escrita. Quem escreveu isso? Será que foi, mais uma vez, o homem que afirmou controlar o que saía nos media, o Clarence Mitchell? Na sua declaração à polícia portuguesa a 6 de setembro, Kate McCann também tinha dito que ela e Gerry tinham regressado ao apartamento às 17:40. Ambos deram banho às crianças, porque estavam cansadas e necessitavam de ir para a cama. Gerry desceu para jogar ténis às 18:00, decidiram que as crianças estavam demasiadas cansadas para irem para a zona de recreio. Portanto, se isto fosse verdade, claramente qualquer afirmação de que o Dr. Payne foi ao apartamento para ver se Kate e as crianças iam descer era um absurdo total. Falsas, de facto. Vimos antes como no dia 10 de maio, o Gerry McCann mencionou uma visita do Dr. Payne para ver a Kate, entre as 18:30 e as 19:00, aparentemente que durou meia hora. Ele afirmou nessa declaração que após ter visto a sua mulher, Payne pediu-lhe para que continuasse a jogar ténis, mas ele recusou. No entanto, quando foi novamente questionado pela polícia no dia 7 de setembro, Gerry McCann deu uma versão completamente diferente desta alegada visita de Payne. Agora ele disse à polícia: eu estava a jogar ténis às 18:30, quando o David apareceu à beira dos campos de ténis e perguntou-me pela rede se eu ia continuar a jogar. Eu disse-lhe que não sabia, porque Kate podia precisar de ajuda para cuidar das três crianças, até porque pretendíamos levá-los à zona do recreio após os duches. “ [Gerry] pensa que o David se terá oferecido para verificar se a Kate necessitava de ajuda, o que fez, tendo regressado minutos depois”. Ele continua a explicar à polícia porque é que disse, na sua primeira declaração, que Payne esteve com a sua mulher durante 30 minutos, mas agora dizia que a visita durou apenas uns minutos. Como acabamos de ver, ele contorna este problema ao dizer à polícia que David Payne regressou duas vezes, e que a primeira vez veio com o seu equipamento de ténis, e a segunda vez com o equipamento vestido. Então, se o Dr. Payne realmente visitou a Kate McCann por volta das 18:30, na noite em que Madeleine desapareceu, por qual das seguintes razões foi? Todas estas têm sido relatadas por várias testemunhas:

a.       Apenas para uma visita
b.      Para trazer a Kate as crianças à zona do recreio
c.       Para ver se Kate estava bem
d.      Kate podia necessitar de ajuda para cuidar das crianças
e.      Para ver se Gerry podia continuar a jogar ténis
f.        Porque o Dr. Payne ofereceu-se a ir

Portanto, juntemos a nossa análise da alegada visita do Dr. Payne e a sua afirmação de ter visto as três crianças. Analisamos 6 contradições importantes desta suposta visita. Numeraremos estas contradições de 1 a 6. Já vimos outra lista de 6 contradições sobre as supostas razões pela visita. Vamos numerar essas contradições de 7 a 12, mas agora vimos outra série de contradições:

Contradição nº 13 – quando é que ocorreu a visita? No início, Payne disse que foi às 17:30, depois mudou essa versão para às 18:30. A sua mulher disse que ele chegou ali por volta das 19:10.

Contradição nº 14 – Ele esteve mesmo lá? Fiona Payne e Matthew Oldfield disseram que ele estava nos campos de ténis entre as 19:00 e as 20:00.

Contradição nº 15 – Declarações feitas aos media, afirmando que Payne viu as crianças a serem levadas para a cama. Nem o Payne nem a Kate mencionaram isto.

Contradição nº 16 – Os McCanns disseram que levaram as crianças ao apartamento às 17:40 e ficaram lá. Matthew Oldfield garante que estavam todos nos campos de ténis às 18:00, 20 minutos depois.
 
Contradição nº 17 – Gerry McCann afirma que estava no campo de ténis às 18:30, quando outras informações dizem que ele e a sua família estavam a pôr as crianças na cama durante essa hora.

Contradição nº 18 – No início, Payne disse que tanto o Gerry como a Kate estavam ali quando visitou o apartamento. Depois ele alterou esta versão, dizendo que apenas estava a Kate.

Contradição nº 19 – Payne diz que regressou apenas uma vez ao campo de ténis; Gerry McCann diz que foram duas.

Contradição nº 20 – Gerry McCann tinha o tendão de Aquilles demasiado lesionado para continuar a jogar às 16:30. Uma hora e meia depois, aparentemente era capaz de participar numa competição.
 
Examinámos detalhadamente um suposto incidente e revelámos 20 contradições diferentes. Isso é porque é muito importante – a última vez que alguém a não ser os McCanns supostamente os viu. As versões desta alegada visita diferem de tal maneira que eu suspeito que a maior parte de vocês concordarão comigo que esta visita não ocorreu e se isso é o caso, que implicações têm tudo o que foi dito pelos McCanns sobre o desaparecimento de Madeleine. Se nós tivéssemos tido tempo, poderíamos ter exposto muitas outras mudanças de versões e contradições. Aqui estão muitas mais que poderíamos ter abordado da mesma maneira: diferentes versões acerca de ambos pais estarem com a Madeleine na hora do lanche ajantarado no dia 3 de maio, mudanças de versões do Dr. Matthew Oldfield sobre o que ele fez e o que ele viu na sua alegada vigilância às crianças às 21:30 no dia 3 de maio. A amiga dos McCanns, Jane Tanner, que disse ter visto um homem a transportar uma criança à beira do apartamento dos McCanns, e depois o porta-voz deles a dizer que ela poderia ter visto uma mulher; Jane Tanner a dizer que passou pelo Gerry McCann e outro turista, Jez Wilkins, nenhum deles a viu; o enigma de porque é que uma fotografia de Madeleine, que se alega ter sido tirada por Kate no último dia das suas férias, só foi exibida três semanas depois; declarações contraditórias dos McCanns quanto ao assunto dos gémeos dormirem nas camas ou nos berços, na noite em que denunciaram o desaparecimento de Madeleine; se é que os pais chamavam a sua filha Maddie ou Madeleine. Há dezenas delas. No final do último documentário, eu cito livros, folhetos, páginas da Web, fóruns e blogs, onde podes obter mais informação.

continued in next part...

____________________
"The shoes were black in colour and classic in style" - Jane Tanner's May 4th statement

"I mean, seriously, how often do you really look at a man's shoes?" - Red from The Shawshank Redemption (1994)
Paulo Alexandre
Paulo Alexandre
Forum support

Posts : 924
Activity : 1079
Likes received : 151
Join date : 2019-05-04

Back to top Go down

Buried by Mainstream Media - Transcripts (Portuguese) Empty Re: Buried by Mainstream Media - Transcripts (Portuguese)

Post by Paulo Alexandre 10.01.21 18:03

Os Cães Não Mentem (Dogs Don't Lie)

Parte 3

Narração: Antes de deixar o assunto da alegada visita do David Payne a Kate McCann às 18:30 da tarde que se reportou o desaparecimento de Madeleine, nós temos de mencionar outro aspeto, que mais uma vez, a comunicação social tem evitado, apesar do facto de que faz parte das provas neste caso. Estes testemunhos vêm de dois respeitados médicos de família, a Dr. Katherina Gaspar e o seu marido, o Dr. Savio Gaspar. Eles tinham estado de férias com os McCanns anteriormente. Assim que a notícia do suposto rapto de Madeleine tornou-se pública na sexta-feira de 4 de maio, os Gaspars estavam preocupados. Os seus pensamentos viraram-se para dois incidentes impróprios que ocorreram enquanto bebiam vinho na sua vila de férias, junto dos McCanns, e o Dr. David Payne e a sua mulher. Vamos aos seus depoimentos e ver o que eles disseram à polícia de Leicestershire a 16 de maio de 2007, apenas 13 dias após ter sido reportado o desaparecimento de Madeleine.
 
“O meu marido Savio e eu somos médicos de família. O meu marido conhece a Kate, já que ambos frequentaram a Universidade de Dundee entre 1987 e 1992. Nós chegámos a ser amigos íntimos de Gerry e Kate. Em 2002 ou 2003, Savio e eu passamos um fim-de-semana com o Gerry e a Kate em Devon. Em setembro de 2005, eu e o meu filho de 18 meses passamos férias em Maiorca com Kate, Gerry, Madeleine e os gémeos, Sean e Amelie, que na altura apenas tinham uns meses. Também se encontravam nessas férias outros amigos de Kate e Gerry, incluindo o Dr. David Payne e a sua mulher. Eles tinham uma filha com cerca de 1 ano de idade. Foi o Dr. Payne que organizou a viagem. Provavelmente durante o 4º ou o 5º dia, houve um incidente que ficou gravado na minha memória. Eu tenho pensado neste incidente muitas vezes desde então. Uma noite em que todos os adultos se encontravam sentados num terraço da casa onde estávamos todos alojados. Nós tínhamos estado a comer e a beber. Estava sentada entre Gerry e Dave, e acho que ambos falavam sobre a Madeleine. Eu lembro-me que o Dave disse algo a Gerry se ‘ela’, referindo-se a Madeleine, ‘faria isto’. Enquanto ele mencionava a palavra ‘isto’, Dave chupava um dos seus dedos, empurrando-o para dentro e para fora da boca, enquanto com a sua outra mão fazia um círculo à volta do seu mamilo, com um movimento giratório em cima da roupa, algo que foi feito de forma provocante. Parecia haver uma insinuação explícita do que ele dizia e fazia. Eu recordo-me de ter ficado chocada com isto. Eu sempre achei que era algo muito estranho e que não era algo que alguém faria ou diria. Eu olhei para o Gerry e também para o Dave, para ver as suas reações. Olhei à minha volta, como se dissesse, “houve mais alguém a ouvir isto ou fui apenas eu?”. A conversa parou durante um momento, depois continuamos a falar novamente. Para além disso, eu lembro-me que Dave voltou a fazer o mesmo noutra ocasião, novamente durante uma conversa, na qual ele falava sobre um cenário imaginário, no entanto não tenho a certeza. Ele empurrava novamente o dedo para dentro e para fora da boca e com a outra mão, novamente, fazia um gesto circular à volta do seu mamilo de maneira provocante e sexual. Eu penso que ele se referia de que modo ela, a sua filha Lilly, se comportaria ou o faria. Lembro-me de pensar se ele olharia para a minha própria filha e para outras meninas de um modo diferente do meu e dos outros. Eu imaginei que ele talvez tinha visitado sites de Internet relacionados com crianças pequenas. Noutras palavras, eu pensei que ele podia estar interessado em pornografia infantil na Internet. Durante as nossas férias em Maiorca, os pais davam banho às crianças por turnos. Eu tinha tendência para ficar à beira da casa de banho quando o Dave dava banho aos meninos e pedia a Savio para que tivesse cuidado e para estar perto caso o Dave estivesse a ajudar a dar banho às crianças e, em especial, a minha filha. Durante a nossa estadia em Maiorca, Dave e a sua mulher Fiona e a sua filha Lilly costumavam levar a Madeleine com eles para passar o dia, para que Kate e Gerry pudessem descansar um pouco e terem tempo apenas para os gémeos. A primeira vez que eu ouvi as notícias terríveis sobre a Madeleine na rádio, os meus pensamentos viraram-se imediatamente para o Dave. Eu perguntei ao Savio se o Dave também estava de férias com os McCanns em Portugal. Ele não sabia. Eu vi a TV para ver a cobertura e eventualmente descobri que Dave estava lá com os McCanns.”

Assim que ela apercebeu-se que o Dr. Payne estava em Portugal com os McCanns, ela e o seu marido contactaram a polícia de Leicestershire. No dia 16 de maio, eles deram este testemunho importante ao detetive Brewer da polícia de Leicestershire. E chegamos agora a um dos aspetos mais extraordinários deste caso – este testemunho foi retido pela polícia de Leicestershire durante 5 meses. Este testemunho vital não foi enviado à polícia portuguesa até em meados de outubro. Apenas foi enviado uns dias após a polícia portuguesa ter removido o Gonçalo Amaral da investigação do desaparecimento de Madeleine.
Eu tenho a certeza de que não estou sozinho em pensar porque é que oficiais superiores da polícia de Leicestershire reteriam um relatório que continha testemunhos credíveis de dois respeitados médicos de que alguém que estava com os McCanns em Portugal parecia ter interesse em abusos sexuais a menores.

Está na altura de vermos o que é, discutivelmente, a principal linha forense deste caso, uma que tem causado grande controvérsia – concretamente, as provas de dois cães de cadáver levados a Portugal por um dos mais reconhecidos treinadores de cães farejadores, o treinador britânico Martin Grime. No início de agosto de 2007, ele levou os seus dois cães a Portugal. Um deles, Eddie, foi treinado para reagir ao odor de cadáveres humanos, e o outro, Keela, a sangue. Como veremos detalhadamente, Martin Grime disse à polícia portuguesa que Eddie tinha detetado o cheiro a morte em não menos de 11 lugares relacionados com os McCanns, enquanto a Keela também detetou o odor a sangue em três dessas mesmas localizações. Os cães foram utilizados em dias diferentes, portanto alertaram nestes lugares separadamente.

Martin Grime: O que eu reparei em primeiro lugar é que assim que entrei, que o cão estava bastante excitado e, como treinador, eu consigo reconhecer a sua linguagem corporal. Pareceu-me que assim que ele entrou na casa, ele detetou um odor que reconhece. Se não há uma fonte de odor aqui dentro, ou seja, um objeto físico que esteja a emitir o odor, qualquer odor residual irá acumular-se num determinado local devido à circulação do ar no apartamento e o que eu diria neste caso é que existe odor suficiente nessa zona para que ele me dê um alerta… mas a fonte pode não estar nesse armário, a fonte pode estar noutro lugar no quarto mas o ar está a empurrar para aquele canto. No entanto, é uma forte indicação e diria que é positiva para aquilo que ele está treinado para encontrar. E decidiu “sim, é disto que estou à procura” e é quando ele me dá o alerta. O que deveríamos entender com este cão é que ele apenas ladra quando encontra algo. Ele não ladrará em nenhuma outra ocasião. As únicas vezes que ele tem ladrado desde que era um cachorrinho foi para o seu jantar, e isso é apenas entusiasmo e esse é um dos métodos de treino que usámos para o ensinar a ladrar quando queremos que ele o faça e quando ele realmente encontra algo. Ele não ladrará a outros cães, ele não ladrará a estranhos, não ladrará quando alguém bate na porta ou qualquer coisa do género. Portanto, novamente, eu diria que é uma indicação positiva.

Narração: Que não haja dúvida alguma do que Martin Grime disse em relação às indicações dos cães. Ele disse, de facto, que os cães estavam a alertar para a presença passada de um cadáver humano nessas 11 localizações. Tal como veremos daqui a um momento, nenhum outro cadáver tinha estado presente nesses 11 lugares. Portanto, se um cadáver tinha estado em contacto com esses 11 lugares, apenas podia ter sido o de Madeleine McCann. No entanto, é necessário realçar que no seu relatório, o Martin Grime admitiu que as indicações dos seus cães por si só não eram suficientes para provar que um cadáver tinha estado nesses lugares. Ele disse que necessitavam de serem corroboradas na forma de, por exemplo, provas forenses ou o tipo de provas circunstanciais de que falamos anteriormente. Ele afirmou corretamente que “embora não haja provas recuperáveis para efeitos judiciais, estes alertas podem ajudar na recolha de informação em investigações importantes”. Os alertas dos cães por si só não podiam condenar alguém de ter matado a Madeleine ou de ter ocultado o seu corpo. Teriam de existir outras provas. Um pouco mais à frente, veremos detalhadamente como os próprios McCanns explicaram os alertas dos dois cães do Martin Grime.
 
Para começar, quem é que enviou os cães para Portugal? De facto, foi uma operação combinada pela polícia portuguesa e britânica. Em julho, após dois meses de investigação do desaparecimento de Madeleine, a equipa de detetives dirigida pelo inspetor Gonçalo Amaral claramente estava convicta de que os McCanns e os seus amigos não estavam a dizer a verdade e que escondiam algo. Eles e a melhor polícia britânica trabalhavam ativamente na teoria de que Madeleine tinha realmente morrido no apartamento de férias dos McCanns e que os McCanns, talvez com a ajuda de outros, tinham ocultado ou descartado o cadáver. Um excelente agente policial britânico, a quem se consultou, foi Lee Rainbow, que naquela altura era o melhor analisador criminal britânico, contratado pelo Serviço de Inteligência britânico. Ele, por sua vez, consultou Mark Harrison, que recomendou que Martin Grime e os seus cães fossem trazidos para buscar provas da presença passada de um cadáver e sangue no apartamento alugado pelos McCanns, no carro alugado que utilizaram e nas suas roupas, assim como outros objetos pessoais. E portanto, Martin Grime foi contratado. Quais eram as qualificações e experiência de Martin Grime para esta tarefa que podia determinar o resultado desta investigação? No momento em que a tarefa foi atribuída a Grime em julho de 2007, ele afirmou que em mais de 200 casos, Eddie nunca se tinha enganado. Se ele dava um alerta, em todos os casos, tinha havido um cadáver nessa localização. O histórico de Eddie incluía alguns resultados impressionantes. 

Desde 2007, Martin Grime tem estado envolvido com sucesso em mais sete investigações. Um exemplo impressionante foi um caso nos EUA – os alertas a cadáver dados pelo cão farejador de Martin Grime mostrou que um suspeito tinha transportado um cadáver no seu carro. Martin Grime tem levado os seus cães farejadores para colaborar nas investigações de vários países e a sua experiência é tão valorizada pelo FBI que agora montou um negócio nos Estados Unidos, maioritariamente financiado pelo seu trabalho para o FBI. As suas credenciais são, portanto, impecáveis. Só em duas ocasiões é que a sua experiência foi questionada. Uma no caso McCann, a outra ocasião foi quando levou os seus cães ao caso notório do orfanato Haut de la Garenne em Jersey, onde crianças foram abusadas durante décadas e havia informação credível de que algumas crianças tinham sido assassinadas pelos seus abusadores. Foi um lugar que o falecido Jimmy Savile visitou mais do que uma vez. Eddie deu alerta ao odor de um cadáver no orfanato, tendo sido filmado no exterior do orfanato. Ossos foram encontrados e julgou-se que um osso em concreto podia ter sido do crânio de uma criança. Quando foi testado num laboratório forense, mostrou ter sido constituído por 1.6% de colagénio, provando que era um crânio humano ou animal. No entanto, o governo, auxiliado pela comunicação social, fizeram circular um rumor sem fundamento de que o laboratório tinha dito que o objeto não era nada mais do que um coco. Um excelente trabalho expondo o escândalo dos abusos no orfanato de Jersey foi realizado por Stuart Syret do parlamento de Jersey, que mostra como a falsa história do Eddie alegadamente a alertar a um coco foi uma invenção. É um assunto ao qual podemos regressar noutro documentário. 

Portanto, vamos examinar o que Eddie e Keela encontraram quando Martin Grime levou os seus cães à Praia da Luz na primeira semana de agosto de 2007. Eu assim o farei, ao citar um documento que os próprios McCanns gostam muito de apoiar, e esse é o relatório final do Procurador-Geral, Fernando José Pinto Monteiro, em julho de 2008.

As coisas moviam-se rapidamente no verão de 2008, tal como nos diz esta passagem da Wikipédia:
 
“Uma decisão do Tribunal Supremo de Justiça de Évora em Portimão foi publicada a 29 de maio e revelou que os procuradores portugueses estavam a examinar várias acusações, incluindo: a. Abandono de um menor; b. Rapto; c. Homicídio; d. Ocultação de um cadáver. Dois meses depois, a 21 de julho de 2008, o Procurador-Geral português anunciou que não havia provas que ligassem os McCanns ou o Robert Murat ao desaparecimento, que o caso estava encerrado, e que o estatuto de arguido (ou suspeito) de todos os três envolvidos tinham sido retirados. No dia 4 de agosto, o Ministério Público (o ministério de justiça português) tornou públicas as 11,233 páginas dos ficheiros do caso para os media num CD-ROM.”

Este era o relatório final que recomendava que a investigação do desaparecimento de Madeleine fosse arquivada, porque não havia provas suficientes para acusar qualquer indivíduo de ser responsável pelo desaparecimento de Madeleine. A investigação foi arquivada com o cabeçalho “Crime: ocultar um corpo ou rapto”. E a polícia portuguesa disse que apenas reabriria o caso se recebesse novas provas credíveis que pudessem levar à detenção da pessoa ou pessoas responsáveis. A publicação das 11,233 páginas, de declarações de testemunhas, relatórios de especialistas, e materiais de caráter probatório ao público em geral, através de uma série de DVDs, nunca teria acontecido sob lei britânica, mas neste caso excecional, tem fornecido o material com qual uma multidão de detetives amadores em muitos países possa trabalhar. Aqui está o que o relatório de José Fernando Pinto Monteiro nos diz: na secção D, intitulada “Buscas Cinotécnicas e Constituição como arguidos de Gerald McCann e Kate Healy”. O seu relatório começa ao notar que Mark Harrison, conselheiro nacional em Inglaterra para buscas a nível de todas as agências policiais no Reino Unido relacionadas com casos de pessoas desaparecidas, raptos e homicídios, tinha recomendado que se trouxesse cães farejadores treinados, os quais podiam, segundo as suas palavras, detetar vítimas mortais, ao rastrear amostras muito pequenas de restos humanos, fluídos corporais e sangue em qualquer ambiente ou terreno. Os alertas dos cães foram registados da seguinte forma:

  1. Eddie sinalizou odor a cadáver dentro do quarto de casal no apartamento 5A, numa zona junto ao armário
  2. Eddie sinalizou odor a cadáver no mesmo apartamento, numa zona à beira da janela da sala de estar que tem acesso direto à rua, por detrás do sofá
  3. Eddie sinalizou odor a cadáver no mesmo apartamento, numa zona do jardim, um canto quadrangular verticalmente abaixo da varanda
  4. Eddie sinalizou odor a cadáver na vila de Vista do Mar, a casa que foi alugada pelos McCanns após abandonarem o Ocean Club, na zona de um armário que continha no interior o peluche “Cuddle Cat” que pertencia a Madeleine McCann
  5. Eddie sinalizou odor a cadáver em duas peças de roupa pertencentes a Kate McCann, que foram examinadas num pavilhão em Lagos
  6. Eddie sinalizou odor a cadáver na porta do Renault Scenic, com a matrícula 59-DA-27, na zona inferior da porta do condutor
  7. Eddie sinalizou odor a cadáver na chave dessa viatura quando foi escondida no interior de uma caixa de areia de prevenção a incêndios

Estranhamente, o relatório do Procurador-Geral omitiu alguns dos alertas claramente mencionados por Martin Grime no seu relatório. No que toca a Keela, o cão farejador de sangue, o Procurador-Geral disse isto:

  1. Keela, o cão que deteta a presença de sangue humano, sinalizou uma zona na sala de estar do apartamento 5A, que já tinha sido sinalizada por Eddie
  2. Keela, o cão que deteta a presença de sangue humano, sinalizou, novamente, na mesma zona onde Eddie sinalizou, na sala de estar do apartamento
  3. Keela, o cão que deteta a presença de sangue humano, sinalizou a parte inferior da cortina esquerda na mesma sala de estar
  4. Keela, o cão que deteta a presença de sangue humano, sinalizou a parte inferior lateral do interior da bagageira da viatura 59-DA-27
  5. Keela, o cão que deteta a presença de sangue humano, sinalizou o compartimento de armazenamento da porta do condutor que continha a chave do veículo
  6. Keela, o cão que deteta a presença de sangue humano, também sinalizou a chave do carro quando a mesma foi escondida na caixa de areia de prevenção a incêndios no interior do parque de estacionamento

O Procurador-Geral disse que, para além disso, a visualização destes vídeos – cujo conteúdo é muito impressionante – torna-se essencial para compreender a atuação e sinalização dos cães, mais até do que quaisquer palavras. Sabemos através do livro escrito pelo detetive português, Gonçalo Amaral, que o relatório de Martin Grime sobre os seus cães era dinamite. A polícia portuguesa tinha dúvidas acerca da versão dos McCanns desde o primeiro dia. As suas suspeitas levou-os a pedir conselho da polícia britânica. Excelentes agentes da polícia britânica disseram que era razoável suspeitar que os pais tinham mentido sobre o que tinha acontecido a Madeleine e que podiam ter encoberto a sua morte, tendo sido uma morte acidental ou não. Agora eles tinham o que era para eles uma confirmação concreta da tese deles. Mais ou menos na mesma altura, eles receberam os resultados preliminares das amostras de sangue e fluídos corporais encontrados na sala de estar do apartamento dos McCanns e no Renault Scenic que tinham alugado. Estes primeiros resultados mostraram que as amostras coincidiam com o ADN de Madeleine em 15 de 19 componentes. Havia uma possibilidade de 1 milhão de que estas amostras não eram de Madeleine. A polícia tinha uma indicação forte dos alertas dos Springer spaniels. Os resultados de ADN dirigiam-se na mesma direção, como veremos em maior detalhe noutro programa.

continued in next part...

____________________
"The shoes were black in colour and classic in style" - Jane Tanner's May 4th statement

"I mean, seriously, how often do you really look at a man's shoes?" - Red from The Shawshank Redemption (1994)
Paulo Alexandre
Paulo Alexandre
Forum support

Posts : 924
Activity : 1079
Likes received : 151
Join date : 2019-05-04

Back to top Go down

Buried by Mainstream Media - Transcripts (Portuguese) Empty Re: Buried by Mainstream Media - Transcripts (Portuguese)

Post by Paulo Alexandre 10.01.21 18:19

Os Cães Não Mentem (Dogs Don't Lie)

Parte 4

Narração: Agora sim, nós examinaremos detalhadamente como os McCanns reagiram aos alertas dos cães. Era talvez inevitável que, com os olhos do mundo fixados na equipa de investigação portuguesa e a polícia tendo já os resultados dos cães do Martin Grime, que pelo menos um agente da polícia iria revelar estas notícias aos media, e assim o aconteceu. Foi segunda-feira, 6 de agosto, apenas 3 meses após o desaparecimento de Madeleine ter sido reportado, que um jornal português, o “Jornal de Notícias”, informou dramaticamente que cães farejadores britânicos tinham encontrado restos de sangue numa parede do apartamento de onde tinha desparecido Madeleine, abaixo da janela da sala de estar, à beira do chão. Os McCanns começaram a reagir dois dias depois. Uma pessoa descrita como “uma amiga dos McCanns”, Rachel Oldfield, uma das chamadas “Tapas 7”, foi citada, dizendo que estava enojada com o que parecia ser uma deliberada campanha de calúnias contra eles. Ela foi citada: “Eu creio que existem algumas fugas que chegam da polícia, porque muito do que tenho lido recentemente tem sido completamente falso”. No dia seguinte, a imprensa fez referência a relatos de uma crescente reação violenta contra os McCanns, tanto por parte dos portugueses como dos turistas do Ocean Club. Os McCanns responderam que não seriam intimidados e forçados a abandonar Portugal contra a sua vontade.

No sábado dessa semana, a polícia portuguesa reconheceu, pela primeira vez, que Madeleine podia estar morta. O inspetor-chefe da polícia, Olegário de Sousa, disse à polícia que novas provas tinham intensificado receios de que Madeleine podia estar morta, mas insistiu em dizer que os pais não estavam sob suspeita. Menos de um mês depois, isso mudaria dramaticamente. Os McCanns reagiram novamente, através de um amigo da família, criticando a polícia por não ter tido a decência de os ter informado primeiro sobre esta nova teoria. As notícias portuguesas sugeriram que a investigação de Madeleine McCann tinha agora terminado uma etapa decisiva. Não se enganavam. Dois dias depois, os McCanns fizeram uma série de entrevistas com os três jornais espanhóis mais vendidos, afirmando que havia uma possibilidade real de que Madeleine ainda estava viva. Sem dúvida que isso teve alguma organização por parte do seu especialista em relações com os media, Clarence Mitchell. As fugas continuaram, sugerindo que as provas dos alertas dos cães e os resultados das análises de ADN provavam que Madeleine McCann devia ter morrido no apartamento dos McCanns. No dia 24 de agosto, os McCanns viram-se obrigados a reagir novamente, desta vez atacando a “especulação absurda do destino de Madeleine”. Gerry McCann diz que está desiludido que tanta informação se tornou pública, apesar das rigorosas leis portuguesas do segredo de justiça.

Uma semana depois, na sexta-feira de 31 de agosto, os McCanns anunciaram que iriam processar um jornal português, “Tal e Qual”, que informou, corretamente como é o caso, que a polícia acreditava que os McCanns eram responsáveis pela morte da sua filha. Meses depois, a revista encerrou. Os McCanns nunca chegaram a processá-los. Os acontecimentos eventualmente ultrapassaram os McCanns. Outra semana depois, na sexta-feira de 7 de setembro, os McCanns foram levados para serem interrogados pela polícia portuguesa. Eles participaram voluntariamente. Não foram detidos, mas foram questionados sob advertência da polícia. Passemos agora para a versão de Kate McCann do seu interrogatório realizado pela polícia portuguesa, onde lhe é exibida um vídeo longo do cão treinado Eddie sinalizando o odor a cadáver no apartamento de férias dos McCanns. Na página 248 do seu livro, Kate McCann escreve: “Carlos, o meu advogado, aconselhou-me a não responder a qualquer pergunta que me era feita. Ele explicou que este era o meu direito como arguida (suspeita) e que era a opção mais segura. Qualquer resposta que eu desse podia implicar-me involuntariamente de algum modo”. Na página 249: 

“Para ser sincera, eu estava bastante nervosa por ter visto o vídeo dos cães. Eu não tinha nenhuma ideia do que esperar, se bem que eu estava bastante confiante de que algo não estava certo com os resultados que eles aparentemente tinham produzido. Nós sabíamos por Bob Small, um agente de polícia de Leicestershire, que as respostas dos cães treinados eram apenas informações, não provas. Mas na minha cabeça, eu tinha convertido estes clipes de vídeo na prova mais incriminatória imaginável. Agora o Ricardo dava-me um discurso sobre os cães. ‘Estes cães têm uma taxa de êxito de 100%’, ele disse, segurando um documento A4 à minha frente. ‘200 Casos e nunca se tinham enganado, nós fomos ao melhor laboratório do mundo, utilizando a técnica de ADN ‘low copy’’. Eu simplesmente fiquei a olhar para ele, incapaz de esconder o meu desprezo. O que é que ele sabia sobre ADN ‘low copy’? Estes cães nunca tinham sido utilizados antes em Portugal. Ele sabia um pouco mais sobre eles do que eu”

Depois, Kate McCann descreve o vídeo que viu: 

“Os cães entraram no nosso apartamento, correram pelo apartamento, saltando para cima das camas, dentro do armário e tendo, no geral, um bom farejo”. Ela depois descreve este momento significativo: “A certa altura, o treinador dirigiu os cães a uma zona detrás do sofá na sala de estar, à beira das cortinas. Ele chamou os cães para que investigassem esta localização em particular. No final, os cães deram o alerta. Eu comecei a sentir-me um pouco relaxada – isto não é o que eu chamaria uma ‘ciência exata’”

Chegados a este ponto, nós podemos ver como a Kate McCann tenta minimizar o impacto do relatório do Martin Grime. Aqui num lugar entre as cortinas detrás do sofá e debaixo da janela, Eddie, o cão especializado em cadáveres, alertou mais excitadamente. O seu nariz estava seguro – tinha havido ali um cadáver. Depois, a cadela de sangue Keela localizou fluídos corporais exatamente no mesmo sítio. Ao contrário da impressão dada por Kate McCann na passagem anterior, os cães não tiveram juntos no mesmo dia. Eles foram em dias diferentes, de forma a conseguir ter dois conjuntos de indicações separadas dos dois cães. Kate McCann continua na página 250, para desvalorizar os alertas dos cães no parque de estacionamento onde estavam estacionados o carro dos McCanns e os outros 9. Ela notou que o seu carro tinha pósteres de Madeleine colados nele, e portanto, o treinador Martin Grime devia se ter apercebido deles. Num parágrafo, ela escreve: 

“O treinador parou junto ao nosso Renault e chamou o cão. Ele obedeceu, regressando à beira dele, mas depois voltou a fugir. Ficando à beira do carro, o detetive Grime mandou repetidamente o cão regressar e dirigiu-o para certas partes do veículo, antes de eventualmente dar um alerta ao ladrar”

Reparou nessa palavra “eventualmente” outra vez? Insinua que os cães só dão o alerta em qualquer parte após o treinador dirigi-los para o lugar onde ele quer que eles deem o alerta. Continuando na página 250, Kate McCann descreve como o detetive português, Ricardo Paiva, mostra-lhe clipes de vídeo dos alertas dos cães e acrescenta que em certos lugares tinha sido encontrado sangue que coincidia com o da Madeleine. Kate diz: 

“Eu disse que não o podia explicar, mas nem ele podia”. Ela continua: “Lembro-me de ter sentido tanto ódio pelo Ricardo nesta altura. O que é que ele estava a fazer? Eu pensei, ‘apenas seguindo ordens’. Em voz baixa, eu comecei a murmurar, ‘maldito idiota, maldito idiota’. Este canto silencioso manteve-me forte de alguma forma, controlada. Este homem não merecia o meu respeito, maldito idiota".

Vamos resumir antes de seguir para outros tópicos. Kate McCann pensa que um dos detetives principais deste caso é um maldito idiota. Gerry McCann ignora a grande quantidade de provas que os cães farejadores são utilizados fiavelmente não só para busca de sangue e odor a cadáver, mas também para drogas, explosivos, e até mesmo, certas condições médicas. Ele classifica-os todos como “incrivelmente pouco fiáveis” e ambos insistem que o mais respeitado e procurado treinador de cães farejadores do planeta não sabe do que fala, efetivamente acusando-o de incompetência profissional grosseira.
Agora veremos detalhadamente como os McCanns lidaram com estas provas explosivas, outro aspeto deste caso que a comunicação social não tocará nem com uma vara comprida. Podem julgar por vocês próprios o sucesso que eles tiveram ou não tiveram. Daremos uma vista de olhos a um caso citado pelos McCanns, apoiando as suas afirmações de que as provas dos cães eram pouco fiáveis – o assassinato de Jeanette Zapata. Assim chegamos finalmente a como Kate McCann explica agora os alertas dos cães, 11 alertas do cão de cadáver e 5 mais nas mesmas localizações do cão de sangue. Na página 250 do seu livro: 

“Quando estava a investigar a credibilidade das evidências de cães farejadores…, Gerry descobriria que falsos alertas podem ser atribuídos aos sinais conscientes ou inconscientes do treinador. Pelo que vi das indicações dos cães, isto certamente parecia ser aquilo que estava acontecer aqui”

Sejamos bastante claros – os McCanns afirmam que os cães estavam errados. Eles dizem que os 16 alertas dos cães eram falsos alertas. Eles insistem que o treinador especializado, Martin Grime, não sabia o que fazia. Isto equivale a um ataque difamatório a Martin Grime, basicamente acusando-o de incompetência profissional grosseira.
 
Isto é o que disseram os McCanns num livro que foi publicado em 2011, quatro anos após a Madeleine desparecer. Mas quando se informou os media de que os cães tinham alertado para cadáver e sangue, em agosto de 2007, eles reagiram de modo bastante diferente. Vamos examinar o que eles disseram naquele momento. Apareceram com pelo menos 7 justificações diferentes. A primeira foi que qualquer sangue que aparecesse no apartamento, aparentemente encontrada após retirar os azulejos da sala de estar detrás do sofá, donde se encontram a parede e o chão, pode ter sido de Madeleine ter arranhado uma perna ao embarcar no avião. No entanto, é muito improvável que um arranhão na perna, no aeroporto de East Midlands, produziria uma quantidade significativa de sangue horas mais tarde em Portugal. Qualquer hemorragia do arranhão teria parado muito antes da aterragem do avião. 

A segunda desculpa é que qualquer sangue podia ter sido de uma hemorragia nasal. É dito que Madeleine sangrava pelo nariz com frequência. Ambas estas explicações parecem pouco prováveis, dada a quantidade de sangue necessária para uma pequena quantidade infiltrar-se debaixo dos azulejos. Para além disso, é pouco provável que o sangue de um arranhão numa perna ou sangramento nasal estaria situado na borda de um quarto onde a parede encontra-se com o chão. Sangramentos nasais normalmente deixam apenas umas gotas de sangue, se é que deixa algo no chão, contido normalmente por um lenço de papel ou roupa. É muito pouco provável que Madeleine tivesse ficado quieta enquanto grandes amostras de sangue esvaziavam-se do seu nariz ou perna, caindo nos azulejos, à beira da parede da sala de estar. Uma das razões mais divertidas para justificar os pingos de sangue encontrados na parede foi dada pela irmã de Gerry McCann, Philomena McCann, uma professora no liceu de Ullapool. Afirmou que o sangue eram de mosquitos a baterem contra a parede. É engraçado que apenas bateram na zona abaixo da janela da sala de estar e em mais nenhum outro lugar do apartamento. Essa tornou-se a terceira desculpa. 

Agora, passamos para as razões dadas pelo odor a cadáver humano que encontraram no carro alugado dos McCanns. A quarta desculpa é que os cães tinham alertado para o odor das fraldas sujas dos gémeos que foram transportadas na bagageira do Renault Scenic. Isso era o mesmo que sugerir que os cães de Martin Grime não podiam distinguir entre o odor de fezes de uma criança e o odor da presença passada de um cadáver humano. A quinta desculpa é que os cães confundiram-se com o odor a carne podre, mas estas justificações não conseguem explicar que para além do Eddie alertar para o cheiro a morte, Keela, a cadela de deteção de sangue, também tinha alertado para a presença de sangue e outros fluídos corporais. E uma engenhosa sexta justificação foi apresentada, desta vez por parte da mãe de Kate McCann, a Srª Susan Healy. Ela afirmou que o cheiro a morte pode ter sido encontrado na sua roupa, porque é dito que Kate tinha estado próxima de pelo menos seis cadáveres nas suas últimas duas semanas de trabalho. No que toca a estas justificações, a afirmação de que ela visitou qualquer cadáver durante as últimas duas semanas de trabalho – muito menos 6 – nunca foi confirmada. Para além disso, aqueles médicos que têm de certificar a causa da morte não lidam sempre com o cadáver nem mexem nele o tempo suficiente ou suficientemente perto para que o cheiro a morte se transfira para a sua roupa. Mais, esta justificação apenas explica o odor a morte na roupa da Kate. Não explicou como o cheiro a morte foi encontrado em quatro lugares do seu apartamento de férias nem no seu carro alugado. 

Uma sétima desculpa foi dada para explicar porque é que o cão Eddie sinalizou odor a cadáver no peluche cor-de-rosa “Cuddle Cat”. Kate explicou que algumas vezes levava o “Cuddle Cat” para o trabalho. Um artigo público, baseado em fontes da polícia portuguesa, explicou naquele momento que Kate não contradisse o facto de que as suas peças de roupa e o peluche “Cuddle Cat” tinham sido sinalizados por cães britânicos treinados para encontrar odor a cadáver. Ela usou a sua profissão como justificação. A mãe de Kate McCann alegou que como médica no Centro de Saúde de Leicester, ela esteve diretamente presente em seis mortes, antes de ir a Portugal de férias, dando a mesma desculpa para o peluche de Madeleine que levou durante os meses posteriores ao desaparecimento da sua filha. À parte do facto que é improvável que uma mãe levasse o peluche favorito da sua filha para o trabalho, já para nem falar de o ter consigo enquanto estava próxima de cadáveres, parece que os especialistas dizem que normalmente não é possível que se transfira o cheiro a morte deste modo. 

Tendo em conta tudo isto, em apenas umas semanas, os McCanns tinham dado estas sete justificações bizarras para os alertas dos cães de cadáver e sangue. No entanto, estas desculpas eram pouco convincentes. Vamos ao depoimento de Gerry McCann como testemunha, prestado quando foi interrogado sob advertência pela polícia portuguesa, a 7 de setembro de 2007, o dia em que foi declarado suspeito. Foi um longo interrogatório, começando às 16:05, prolongando-se até às 20:50. Durante este interrogatório, também mostraram ao Gerry os vídeos dos alertas dos cães. Podemos ver aqui como o inspetor registou as suas respostas:

“Terminada a visualização e após sinalização de odor a cadáver no seu quarto junto ao armário e por detrás do sofá encostado à janela da sala de estar, disse que não ter qualquer comentário a fazer, nem ter qualquer explicação para tal facto. O cão de deteção de sangue humano, tendo sido assinalado sangue humano por detrás do sofá acima referido, disse que não pode explicar tal facto. Assinalado o odor a cadáver proveniente da viatura que alugou no final de Maio, disse que não pode explicar nada mais do que já referiu. Assinalada a presença de sangue humano na mala do mesmo veículo, disse que não tem qualquer explicação para tal facto. Confrontado com o facto de ter sido recolhido ADN da Madeleine, por detrás do sofá e da bagageira do veículo, cuja análise foi efetuada por um laboratório britânico, disse que não pode explicar. Foi-lhe perguntado se a Madeleine em alguma ocasião ficou ferida, disse não comentar.”

Na consequência do choque de Kate e Gerry terem sido constituídos arguidos, os McCanns e a sua crescente equipa de relações públicas, assessores e advogados imediatamente desvalorizaram as provas obtidas pelos cães. Eles citaram rapidamente, por exemplo, um caso irlandês, onde o juiz não aceitou as provas dos cães por si só, pois não tinham sido corroboradas. Afirmaram que haviam advogados irlandeses e americanos que tinham conseguido suscitar dúvidas sobre estas provas, apontando para um estudo americano que presumivelmente mostrava que os cães podiam ser falíveis. Um caso em concreto foi alardeado pelo Gerry e promovido na imprensa britânica – a detenção de um americano, Eugene Zapata, pelo assassinato da sua mulher, Jeanette Zapata. Jeanette Zapata ainda estava desaparecida, mas um cão de deteção de cadáveres tinha sinalizado odor a cadáver em alguns lugares da sua casa e num contentor de armazenamento relacionado com o negócio de Eugene Zapata. A 17 de setembro de 2007, apenas 10 dias após os requerentes terem sido chamados para interrogatório pela polícia portuguesa, “The Time” publicou um artigo intitulado, “Kate e Gerry McCann pedem ajuda aos EUA contra as provas de cães farejadores”. O artigo dizia:

“Os pais de Madeleine McCann contactaram os advogados de um homem acusado de homicídio que desafiou com sucesso as provas de cães farejadores. Os seus advogados alegaram que não eram credíveis e persuadiram o juiz nos Estados Unidos a descartar as afirmações do procurador de que os cães tinham detetado o cheiro a cadáver. Gerry e Kate McCann esperam que o caso os possa ajudar a provar a sua inocência. A polícia portuguesa acredita que o casal possa ter matado a sua filha acidentalmente e descartado o corpo, usando um carro que eles alugaram 25 dias depois. Embora os McCanns não saibam todos os detalhes do caso dos procuradores portugueses contra eles, eles estão preocupados que pode basear-se nas reações dos cães. Agora, os seus advogados pediram os ficheiros do caso do presente julgamento por homicídio de Eugene Zapata em Madinson, Wisconsin. A sua ex-mulher, Jeanette, uma instrutora de voo de 37 anos, desapareceu em outubro de 1976, após levar os seus filhos à escola. O corpo dela nunca foi encontrado. Os detetives suspeitam que o Sr. Zapata matou-a, mas não têm provas suficientes para irem a tribunal. O Sr. Zapata, de 68 anos de idade, foi acusado de homicídio no ano passado, após os cães farejadores terem sido trazidos. Eles alegadamente detetaram o cheiro a restos humanos num sótão numa antiga casa de família. Mas o juiz Patrick Fiedler do condado de Dane afirmou que as provas eram inadmissíveis, dizendo que os cães não eram fiáveis. Ele citou a análise do histórico do desempenho de três cães, que mostrou que eles eram, respetivamente, incorretos 78%, 71% e 62% das vezes. O juiz disse ao tribunal: ‘O estado falhou em convencer-me de que é mais fiável do que lançar uma moeda ao ar’".

Isso foi o que a imprensa britânica nos contou, mas agora vem a parte que a imprensa britânica nunca vos contou. Não muito após a publicação do artigo do “The Times”, Eugene Zapata confessou ter assassinado a sua mulher, e ao fazer uma confissão completa, ele confirmou que os alertas do cão farejador utilizado para localizar o lugar onde poderia estar escondido o corpo da sua mulher estavam completamente corretos. No final de 2007, um jornal americano informava: “Zapata faz uma declaração de culpabilidade em relação à morte da sua mulher desaparecida no caso Eugene Zapata”. Durante as últimas décadas, a habilidade dos cães rastreadores para detetar um crescente número de substâncias tem expandido enormemente. Wikipédia, por exemplo, disse-nos que cães farejadores são utilizados para todas estas finalidades. Wikipédia diz que uma qualidade notável destes cães é que são capazes de discernir odores individualizados, inclusive aqueles que estão misturados e mascarados por outros odores. Sabemos por Martin Grime que Eddie não se enganou nem uma vez em mais de 200 casos onde detetou o cheiro a morte ou sangue. O trabalho destes cães tem tido um papel em condenar o assassinato de muitos criminosos, para além do Eugene Zapata. Esta é uma lista de alguns dos casos onde provas dos cães farejadores têm resultado em condenações ou suscitadas grandes dúvidas das afirmações dos seus pais que os filhos tinham sido raptados ou que simplesmente tinham desaparecido. Para terminar, o que devemos pensar sobre os ataques dos McCanns à competência profissional do treinador enviado a Portugal, Martin Grime? Os McCanns têm descredibilizado publicamente o seu trabalho no caso do desaparecimento da sua filha, afirmando que os cães não faziam nada mais do que responder às suas indicações conscientes ou inconscientes.

Sandra Felgueiras: Mas esta é a primeira vez que nos dão uma grande entrevista, sem serem arguidos. Agora sinto-me à vontade para vos perguntar isto diretamente – como é que podem explicar a coincidência do odor a cadáver detetado por cães britânicos e não portugueses?

Kate McCann: Sandra, talvez seja melhor perguntar à Judiciária, pois eles examinaram tudo isso.

Sandra Felgueiras: Mas não têm uma explicação para isso?

Kate McCann: Nós somos os pais da Madeleine e estamos desesperados pela ajuda das pessoas para a podermos encontrar. É por isso que estamos aqui hoje. A maioria das pessoas é inerentemente boa e acredito que a maioria das pessoas em Portugal é boa. Pedimos a sua ajuda a passar esta mensagem para a pessoa ou pessoas…

Sandra Felgueiras: Não têm explicação para isso?

Gerry McCann: Pergunte aos cães, Sandra.

Sandra Felgueiras: Pergunto aos cães, Gerry? Agora sinto-me à vontade para vos perguntar a vós. Não se sentem à vontade para me responder?

Gerry McCann: Posso dizer-lhe que obviamente que analisamos provas sobre esses cães e vimos que são muito pouco fiáveis.

Sandra Felgueiras: Pouco fiáveis?

Gerry McCann: Cães de deteção de cadáveres, sim.
 
ENTERRADA PELA COMUNICAÇÃO SOCIAL: A Verdadeira História de Madeleine McCann

Por Richard D. Hall
 
UMA PRODUÇÃO DE RICHPLANET
POR FAVOR DISTRIBUA LIVREMENTE

Para doar, visite: www.richplanet.net/donate
 
“É mais fácil enganar as pessoas do que convencê-las de que elas foram enganadas”
- Mark Twain
 
Para mais informações e links sobre este caso, por favor visite www.richplanet/madeleine

END OF "Dogs Don't Lie"

____________________
"The shoes were black in colour and classic in style" - Jane Tanner's May 4th statement

"I mean, seriously, how often do you really look at a man's shoes?" - Red from The Shawshank Redemption (1994)
Paulo Alexandre
Paulo Alexandre
Forum support

Posts : 924
Activity : 1079
Likes received : 151
Join date : 2019-05-04

Jill Havern likes this post

Back to top Go down

Buried by Mainstream Media - Transcripts (Portuguese) Empty Re: Buried by Mainstream Media - Transcripts (Portuguese)

Post by Paulo Alexandre 29.03.21 19:45

Investigações Privadas? (Private Investigations?)

1ª Parte

Narração (Richard Hall): Nos nossos dois primeiros documentários, analisámos algumas das declarações importantes feitas pelos McCanns e os seus amigos acerca do que eles dizem ser o rapto de Madeleine. Vimos como haviam várias mudanças de versões e contradições. E vimos como as versões em torno do que era suposto ser a última vez que Madeleine tinha sido vista por alguém fora do seio familiar, nomeadamente o seu amigo David Payne, estavam cheias de contradições. As versões desta suposta visita – quando o Dr. Payne declara ter visto as três crianças vestidas com pijamas brancos e com uma aparência de anjo – estavam tão conflituantes entre si que qualquer pessoa teria tido uma boa razão para duvidar que esta visita realmente ocorreu. Nós falámos sobre o relatório do inspetor Tavares de Almeida, que na altura em que os McCanns foram levados a interrogatório, submeteu um relatório detalhado, enumerando as razões pelas quais a polícia tinha a certeza de que Madeleine tinha morrido no apartamento dos McCanns e que eles tinham ocultado o corpo dela. Por último, examinámos as provas convincentes fornecidas por um dos melhores treinadores de cães, Martin Grime, e os seus dois cães de cadáver, Eddie e Keela, que sinalizaram o odor a cadáver em 11 lugares e sangue em alguns deles. Depois vimos como os McCanns tentaram explicar, usando diversas justificações complexas, porque é que os cães sinalizaram o odor a cadáver humano e sangue.

Está na altura de revelar um assunto que nunca tinha sido relatado em qualquer filme, documentário ou vídeo de Youtube, nem em qualquer artigo de imprensa, pela simples razão de que este assunto é demasiado controverso para que outros o abordem. Pela primeira vez num filme, nós levar-lhe-emos diretamente aos bastidores e expor o que realmente aconteceu com as investigações privadas financiadas pelos McCanns. Poderá julgar por si mesmo se esta investigação custosa e bastante promovida foi alguma vez uma busca genuína da Madeleine, ou se esta operação teve um objetivo completamente diferente. Mas antes de abordar os detalhes extraordinários do que realmente faziam os investigadores privados dos McCanns, como foi tudo financiado? A maior parte, pelo que nos têm dito, foi financiada por si, o povo britânico.

Apenas 13 dias após o desaparecimento de Madeleine e numa altura em que ela podia ter sido encontrada a qualquer momento, os McCanns lançaram um fundo, que foi oficialmente intitulado “Fundo da Madeleine: Não deixar nenhuma pedra por revirar”. Em primeiro lugar, vamos explicar como e porquê é que este fundo foi criado.

Desconhece-se a altura exata em que os McCanns decidiram criar um fundo para encontrar a Madeleine. No seu livro, “Madeleine”, Kate McCann explica da seguinte forma, na página 120. Diz:

“O Gerry impôs um desafio… para não deixar nenhuma pedra por revirar… Haviam tantas pessoas… que queriam ajudar. O ‘apelo à luta’ do Gerry incentivou-os a agir…”

Depois ela diz:

A irmã do Gerry McCann, a professora Philomena McCann “enviou cartas em cadeia, pedindo a cada destinatário para ajudar a encontrar a nossa filha”. Isto seguido da sua afirmação de que “isto levou à primeira conversa entre Philomena e Calum Macrae, um antigo aluno dela e um jovem informático, sobre a criação de um website dedicado a Madeleine”. Quatro páginas mais à frente, Kate apresenta o grupo misterioso “Especialistas Internacionais em Direito de Família”. Parecia ser composto por um advogado que não forneceu o seu nome aos McCanns e um assistente jurídico. Mais tarde, uma terceira figura misteriosa juntou-se a eles, de uma organização chamada “Control Risks Group”, que disse: “Trata-me apenas por Hugh”. Aparentemente, o advogado ofereceu ajuda aos McCanns imediatamente após o desaparecimento de Madeleine. Foi na sexta-feira, 11 de maio, apenas uma semana após o desaparecimento de Madeleine, que estes dois homens misteriosos, o advogado e o assistente, foram à Praia da Luz. Não se sabe quem pagou a viagem, portanto os McCanns pedem-nos para acreditar que isto foi um ato altruísta de um bom samaritano. Contudo, na página 125, Kate McCann conta-nos um pouco mais sobre esta terceira pessoa. Acabou por se saber que era um antigo agente de Inteligência, sendo agora um negociador de raptos e conselheiro. Ela depois explica porque é que o fundo da Madeleine foi criado:

“Tínhamos discutido a enorme quantidade de ofertas de ajuda que chegavam, incluindo muitos compromissos financeiros. Um dos colegas do Gerry disse que os seus empregados queriam fazer um donativo, mas não sabiam como nem onde o depositar. O EIDF disse-nos que precisávamos de criar um fundo de luta. Eles planeariam os objetivos do fundo e dariam instruções a uma firma de advogados, Bates Wells & Braithwaite, para elaborar os estatutos.” Portanto, de acordo com esta versão, este fundo dedicado a Madeleine foi ideia e recomendação de outra pessoa. Dias depois, a organização “Fundo da Madeleine: Não deixar nenhuma pedra por revirar” foi fundada e os McCanns começaram a arrecadar milhões de libras, doadas maioritariamente pelo generoso povo britânico. Daqui a um momento, veremos como todo esse dinheiro tem sido gasto, ou talvez como demonstrarei, desperdiçado. É importante salientar que o Fundo da Madeleine não é uma instituição de caridade, apesar de muitas pessoas acharem que é. É, de facto, uma empresa privada criada como um fundo fiduciário e, mais importante do que isso, é controlado pelos McCanns e membros da sua família. Os atuais diretores do fundo da Madeleine são:

  • Gerry McCann;
  • Kate McCann;
  • Brian Kennedy, tio de Kate McCann;
  • Edward Smethurst, advogado dos McCanns e maçom de alto nível;
  • Jon Corner, amigo íntimo da família McCann e padrinho da Madeleine;
  • Michael Linnet, amigo da família e contabilista, membro de uma sociedade católica secreta de maçonaria, “Os Cotineans”.

No entanto, qual era o objetivo inicial deste fundo? A resposta sincera é que tinha a intenção de ser um fundo de luta para cobrir gastos de cariz legal. Por outras palavras, desde o princípio, tinha a intenção de angariar fundos para a defesa dos McCanns. Apenas 10 dias após a Madeleine ter sido supostamente raptada – e que podia ter sido encontrada com vida – porque é que os McCanns pensariam em precisar de um fundo de luta legal? Foi um familiar deles, da mesma vila, o tio de Kate McCann, Brian Kennedy, que revelou o facto numa entrevista televisiva.

Repórter: Tenho aqui comigo o tio-avô da Madeleine, Brian Kennedy, e ele falar-nos-á sobre o fundo. Como é que tem sido a resposta do público, Brian?

Brian Kennedy: Bem, tem sido bastante boa, mas muitas pessoas têm dito que não têm a certeza de como podem dar dinheiro, portanto, posso-lhes dizer?

Repórter: Sim, muito rapidamente.

Brian Kennedy: Certo, muito rapidamente – pode ir a qualquer sucursal da NatWest ou ao Royal Bank da Escócia e simplesmente dizer que gostaria de fazer uma contribuição ao fundo da Madeleine.

Repórter: Fale-me, Brian, acerca de todas as pessoas que o têm abordado. Isto é literalmente a meter dinheiro nas suas mãos.

Brian Kennedy: Sim, é verdade. É muito emocionante, muito emocionante. Eu apenas diria que isto não é um apelo. A família não fez um apelo, nós só críamos um mecanismo para as pessoas que disseram que queriam fazer algo para contribuir, para que o dinheiro pudesse ser usado para várias finalidades, mas principalmente para despesas legais.

Narração: Essa foi uma resposta honesta. Os McCanns já sabiam ou pressentiam que necessitariam dos melhores advogados. De facto, durante os últimos 7 anos, os McCanns tiveram ajuda legal, custando 4 milhões de libras ou mais. Aqui está uma lista. Durante 5 anos, eles tentaram obter uma indemnização de 1 milhão de libras do Dr. Gonçalo Amaral, o coordenador da investigação inicial do desaparecimento de Madeleine, e tentando proibir a venda do seu livro, “A Verdade da Mentira”. Eles gastaram quase 400 mil libras ao silenciar o advogado reformado Tony Bennett com um pedido de indemnização, após ele ter escrito dois livros sobre o caso, e gastaram uma pequena fortuna com conselhos legais de uma série de advogados, que deram conselhos em relação à sua constituição como arguidos no desaparecimento da sua filha e o risco de serem extraditados para Portugal, de forma a enfrentarem acusações.

No entanto, pouco depois, a mensagem foi alterada – o fundo não era para cobrir gastos legais, aparentemente. Em vez disso, era para ser usado para encontrar a Madeleine. Lançaram uma enorme campanha “Procure a Madeleine”. É um mistério a quantia arrecadada pelos McCanns através de doações e outras contribuições ao seu fundo. É igualmente incerto como tem sido gasto esse dinheiro todo. Embora os diretores do Fundo da Madeleine têm apresentado relatórios anuais, assim previsto nas leis societárias, estes são pouco claros. Uma contabilista de Dublin, Enid O’Dowd, tem levado a cabo uma análise meticulosa do fundo, com o título “Fundo da Madeleine, revisão e investigação das contas”. O relatório de Enid O’Dowd mostra que a empresa apenas cumpre os requisitos legais mínimos e não exibe nenhuma análise detalhada da origem dos rendimentos e quais são os gastos, isto apesar da afirmação dos McCanns de que queriam que o seu fundo fosse transparente. Contudo, não temos tempo para detalhar a operação do fundo. O que de facto sabemos é que uma parte essencial do fundo tem sido gasta numa série de agências de detetives e investigadores. Agora vou examiná-los detalhadamente, mas antes disso, permita-me que explique como tem sido dirigida a investigação privada dos McCanns e por quem.

A primeira coisa a dizer é que os McCanns sempre garantiram que as decisões sobre a investigação privada foram tomadas pelos diretores do fundo da Madeleine, cujos nomes já mencionei, mas o verdadeiro chefe da investigação privada dos McCanns, desde o princípio, tem sido um empresário de Cheshire chamado Brian Kennedy. Este não é o tio de Kate que vive em Rothley, Brian Kennedy. Este Brian Kennedy é um empresário multimilionário. Ele vive numa mansão, na zona rural de Cheshire. Ele tem um enorme império de negócios, que inclui o seu grupo Latium, sediado em Wilmslow, Cheshire, e empresas de fabricação de vidros duplos, tal como o “Weatherseal”. As suas empresas têm sido investigadas em várias ocasiões por aquilo que podíamos chamar de práticas empresariais duvidosas, mais recentemente este ano, quando o Gabinete para o Comércio Justo submeteu um relatório incriminador sobre a empresa Wheatherseal do Kennedy. Ele é talvez mais bem conhecido no mundo dos negócios como o presidente do famoso clube de rugby “Sale Sharks”, que também tem a sua sede em Cheshire, e pela sua tentativa audaz, embora falhada, de assumir o controlo do Rangers Football Club. Mas a sua carreira no desporto nem sempre foi bem-sucedida. Sob a sua posse, o Stockport County Football Club, também sediado em Cheshire, caiu para a quarta divisão e ficou fora da liga de futebol. Como é que Brian Kennedy acabou por ser o responsável pela investigação privada dos McCanns? No seu livro, Kate McCann dá esta versão:

“Na quarta-feira, 12 de setembro (apenas três dias após os McCanns terem regressado de Portugal), o Gerry foi contactado por Edward Smethurst, um advogado de direito comercial. Ele representava um empresário chamado Brian Kennedy, um empreendedor bem-sucedido que possuía várias empresas, incluindo o Everest Windows… Ele disse que Brian, tal como muitos, tinha acompanhado o desenrolar do drama do desaparecimento da Madeleine… e agora, ao ver as coisas a irem de mal a pior, ele já não podia ficar especado a olhar.”

Dias depois, um famoso advogado de Londres, Angus McBride da firma Kingsley Napley, dirigiu-se a Rothley para levar os McCanns a uma reunião em Londres, onde se encontraram com Kennedy pela primeira vez e um grupo de advogados prestigiosos. Os McCanns afirmaram que só após esta reunião é que Brian Kennedy aconselhou a sua campanha a levar a cabo uma investigação privada para encontrar a Madeleine. Kennedy comprou prontamente uma casa em Knutsford, novamente em Cheshire, como sede da sua investigação. Ele e a equipa McCann eram reservados em relação a esta sede, mas imagens dela foram exibidas no documentário do Channel 4 sobre o caso, emitido em maio de 2009. Kennedy tomou duas decisões breves: ele contratou um especialista em lavagem de dinheiro, Gary Hagland, para ser o seu tenente no Reino Unido, enquanto ao mesmo tempo, tomava a decisão bizarra de contratar uma controversa agência de detetives sediada em Barcelona, o Método 3, traduzido como “o terceiro método”, para tentar localizar a Madeleine.

continued in next part...

____________________
"The shoes were black in colour and classic in style" - Jane Tanner's May 4th statement

"I mean, seriously, how often do you really look at a man's shoes?" - Red from The Shawshank Redemption (1994)
Paulo Alexandre
Paulo Alexandre
Forum support

Posts : 924
Activity : 1079
Likes received : 151
Join date : 2019-05-04

Back to top Go down

Buried by Mainstream Media - Transcripts (Portuguese) Empty Re: Buried by Mainstream Media - Transcripts (Portuguese)

Post by Paulo Alexandre 29.03.21 19:57

Investigações Privadas? (Private Investigations?)

2ª Parte


Vamos dar uma vista de olhos a Gary Hagland e ao que sabemos sobre ele e o seu trabalho para Brian Kennedy e a equipa McCann. Aqui está um resumo do que sabemos sobre a sua história pessoal. Ele nasceu em 1954 e tem agora 60 anos. Ele não parece ser casado. Nós sabemos que trabalhou num ramo dos Serviços de Segurança, no Departamento de Inteligência Criminal da Polícia Real de Hong Kong, de 1979 até 1985, quando regressou a Inglaterra e ficou alojado num apartamento em Nottingham. O que fez nos seis anos seguintes é um mistério, mas em 1991, aos 37 anos, nós vemos que é diretor associado de Compliance numa firma de contabilidade Albert E Sharp & Co. A Compliance é uma área que lida com o cumprimento de regulamentos financeiros estritos. Para se ter tornado num diretor de Compliance, Hagland teria de ter estado familiarizado com todos os últimos regulamentos bancários e financeiros, incluindo conhecer todas as fraudes e esquemas associados ao branqueamento de capitais, uma característica do modus operandi de barões de droga e outros criminosos.

Em 1993, ele publicou um artigo que também abordava o assunto de branqueamento de capitais, no “Journal of Financial Regulation and Compliance”, intitulado “Conformidade efetiva vs Gestação Regulatória”. Claramente, nesta altura, já era um especialista bem reconhecido em lavagem de dinheiro. Durante os anos 90, ele de repente torna-se no diretor de uma série de empresas, cujos objetivos são desconhecidos. E depois, em 1999, encontramos um artigo sobre ele num jornal chamado “Lavagem de dinheiro, boletim”. Dois anos depois, em 2001, encontramos um artigo sobre ele na revista “Financial Times”, onde ele é descrito da seguinte forma:

“Gary Hagland é um consultor na firma de advogados Wragge & Co, que aconselha clientes sobre a gestão ativa dos riscos de conformidade, incluindo o branqueamento de capitais…

O Sr. Hagland apresenta um amplo panorama do tipo de empresas de serviços não financeiros que podem ser alvos de autores de lavagem de dinheiro.

Segundo o Sr. Hagland, um problema que as empresas têm em cumprir iniciativas contra o branqueamento de capitais é que a sua cultura predominante e valores não se adaptam prontamente para acomodar ceticismo em relação a possíveis clientes. Na verdade, é mais provável que seja o oposto.

Para abordarem a possível ameaça de serem cúmplices involuntários de um esquema de branqueamento de capitais, o desafio para empresas não financeiras é mudar a sua mentalidade, as suas atitudes principais. O foco reputacional de muitas empresas não é claramente lavagem de dinheiro, diz o Sr. Hagland.

Os riscos associados a branqueamento de capitais são suficientemente claros. Branqueamento de capitais é um ato criminoso: qualquer indivíduo apanhado a auxiliar o processo dos rendimentos do crime enfrenta uma longa sentença de prisão. Empresas que são acusadas de darem assistência a operações de branqueamento de capitais também arriscam terem as suas reputações arruinadas.

No entanto, como é que identifica um branqueador de capitais?

Branqueadores de capitais são extremamente bem financiados, bem aconselhados e utilizam esquemas sofisticados e tecnicamente orquestrados para esconder os seus rastros.”
 
Não nos restam dúvidas de que Gary Hagland é um homem desejado pela sua experiência numa coisa em particular – o branqueamento de capitais.

Porque é que o empresário de Cheshire, Brian Kennedy, contratou o Hagland como a sua mão direita e oficial de ligação em setembro de 2007 – ou mesmo antes disso – em conjunto com a controversa agência de detetives espanhola “Método 3”? Será que foi porque ele tinha experiência em localizar crianças desaparecidas? Obviamente que não. Porquê contratar um homem que era um especialista reconhecido em conformidade financeira para procurar uma criança desaparecida? Hagland continuou a trabalhar para Brian Kennedy e os McCanns, encontrando-se com os investigadores do Método 3, tanto na sua sede em Barcelona como na sede de Brian Kennedy em Knutsford. Está na hora de estudar, com detalhe, esta agência de detetives espanhola, Método 3. Pouco tem sido dito sobre eles na imprensa britânica. Os tabloides apenas reciclavam declarações do assessor de relações públicas dos McCanns, o Clarence Mitchell, sobre o quanto a agência de detetives era boa, explicando que a agência espanhola foi cuidadosamente escolhida pela sua reputação e por ser perto de Portugal. Ele explicou que devido ao facto de Portugal não permitir investigações privadas enquanto decorre uma investigação oficial, eles não podiam contratar uma agência portuguesa. A melhor opção foi uma agência espanhola. No entanto, quando os jornais publicaram artigos mais detalhados sobre o Método 3, estes foram bastante mais céticos. Um bom exemplo foi um de Christine Toomey no “The Times”. Ela visitou o Método 3 em fevereiro de 2008 e ficou pouco impressionada com o que viu. O seu artigo era intitulado “Madeleine McCann & Método 3 Detetives Privados – Mentiras Públicas”.

No outono de 2007, o chefe do Método 3, Francisco Marco, afirmou: “Acreditamos que ela está numa zona próxima da península ibérica e do norte de África”. Ele diz mais: “Temos provas dos seus movimentos após o rapto dela e sabemos que estava viva no dia posterior ao seu desaparecimento. Eu digo que estamos confiantes, porque conhecemos o grupo que a pode ter ou que a pode ter sequestrado para a vender. Não posso revelar a pessoa que está com ela, porque continuamos a reunir provas conclusivas que possam ser apresentadas às autoridades.”

Era tudo mentira.

Dois meses antes da visita de Toomey, Marco tinha feito uma série de declarações infames que se tornaram públicas em jornais britânicos. Primeiro afirmou que Madeleine estava viva e que sabia onde estava. Depois afirmou que os seus homens estavam quase a apanhar os raptores. Por último, ele disse que “Maddie regressará a casa por volta do Natal”. Estas foram mentiras escandalosas, contudo, estas mentiras nunca foram condenadas pelos McCanns. De facto, continuaram a utilizar os serviços desta agência descredibilizada durante, pelo menos, outros 15 meses, utilizando-os até março de 2009. No seu artigo, Christine Toomey salientou o seguinte: “No próprio dia em que o Sr. Marco disse que Madeleine McCann regressaria ‘a casa por volta do Natal’, o Método 3 mudou de instalações situadas acima de uma mercearia especializada em salsichas no centro comercial de Barcelona para um conjunto de gabinetes multimilionário numa vila das avenidas mais prestigiosas da cidade. Na altura, o Método 3 tinham um contrato com os McCanns, celebrado quatro meses antes, com um valor reportado de 600 mil libras”.

Quanto é que a equipa McCann pagou ao Método 3 pelos seus serviços? A 29 de novembro de 2007, Gerry McCann disse no seu blogue pessoal que o Fundo da Madeleine estava a pagar honorários mensais de 50 mil libras. Portanto, era maioritariamente o generoso povo britânico, com as suas doações generosas, que financiavam esta agência de detetives. Se os McCanns continuaram a usar os seus serviços durante 15 meses após as falsas afirmações de Francisco Marco de que Madeleine regressaria a casa por volta do Natal, devemos pressupor que os McCanns estavam muito satisfeitos com o seu trabalho. Examinaremos mais este trabalho daqui a pouco. Retornando ao artigo de Christine Toomey no “The Times” – ela teceu alguns comentários críticos sobre o que encontrou na sua visita: “Não há qualquer toque audível de telefones; poucos sinais de atividade de qualquer género, a não ser uma mulher à procura de uma trela para levar o seu cão a passear e as ocasionais idas e vindas de trabalhadores a darem últimos retoques à elegante remodelação do complexo dos gabinetes. À frente da sala de reuniões havia uma zona aberta com meia dúzia de cubículos, por volta disso, equipados com vários telefones e computadores. A maior parte desses cubículos estão vazios quando eu chego”. Isto pretendia revelar a falsidade das afirmações de Marco de que tinha 40 pessoas a trabalhar a tempo inteiro e a tempo parcial na busca pela Madeleine. Contudo, na altura, a imprensa britânica simplesmente publicou isto sem questionar.

Toomey continuou a observar o quão defensivo o Método 3 era em relação ao seu envolvimento na busca pela Madeleine. Durante a sua conversa com o chefe Francisco Marco e o seu primo José Luís, ela recebeu este aviso sério de Luís: “Não respondemos a perguntas sobre a Maddie. Não fales sobre ela. Está entendido?”. Ela continuou: “Depois de falar com o Marco durante meia hora, cheguei à conclusão de que aquilo que o motiva – mais do que o seu alegado desejo de entregar a Madeleine a boneca que ele diz levar na sua mala com o intuito de lha dar após encontrá-la – é um sentimento de egoísmo, autopromoção e dinheiro.” Ela diz que antes do seu envolvimento no caso Madeleine McCann, o Método 3 era especializado em investigação de burlas financeiras, espionagem industrial e fraudes aos seguros. O branqueamento de capitais era outra das suas áreas de especialidade. Não havia provas de que o Método 3 tinha qualquer experiência em procurar, muito menos encontrar, crianças desaparecidas, no entanto, ele fez uma afirmação completamente falsa de que tinha localizado 23 crianças. Toomey descreve como terminou a sua entrevista com o Método 3: “Quando pedi a Marco que me desse mais detalhes sobre as 23 crianças desaparecidas, as quais a sua agência encontrou no passado, segundo as afirmações dele, Marco afasta-se da mesa pela primeira vez, inclinando-se para trás na cadeira. Ele não pode falar sobre isso, por motivos de confidencialidade, assim o diz. Pouco depois disto, o seu primo José Luís, que tem permanecido quase sempre em silêncio até agora, pede para que a entrevista termine, fazendo um movimento de corte com a sua mão.” Fica claro que o Método 3 tinha um histórico muito controverso. Um jornalista que investigou a agência, ao visitar Barcelona, falou com a polícia e outras agências de detetives acreditadas. Todas elas, sem exceção, descreveram o Método 3 como uma agência desonrosa e desonesta. Um investigador privado espanhol disse ao “Daily Mail”: “Os investigadores do Método 3 revelaram-se como os melhores investigadores do mundo. A verdade é que eles não são nada do género. O seu histórico suspeito está repleto de controvérsias”.

Porque é que os McCanns escolheriam a agência de detetives mais desonrosa de Barcelona? O chefe do Método 3, Francisco Marco, foi descrito como um criminoso pelo notório criminólogo português, o Sr. Moita Flores, e de facto, no ano passado, o Marco foi detido e acusado de espiar uma política espanhola, ao gravar ilegalmente as suas conversas privadas num restaurante. Provocou um enorme escândalo em Espanha. Também foi detido o seu colega, Julián Peribáñez, um dos indivíduos do Método 3 mais envolvidos no caso Madeleine McCann. Pouco depois, ele admitiu a sua culpa e confessou ter instalado escutas ilegais no restaurante. Quando foi captado por câmaras de televisão, caminhando ao lado do diretor da equipa de investigação dos McCanns, Brian Kennedy, na Praia da Luz, ele ignorou-os rapidamente. Muitos dos detetives do Método 3 foram detidos num escândalo envolvendo escutas telefónicas, relacionado com políticos e empresários. Cinco membros do Método 3, incluindo o Francisco Marco, foram detidos em 1995, enquanto circulavam afirmações de espionagem industrial e política, e a mãe do Marco, Marita Fernández Lado, de 57 anos, que fundou a agência em 1985, foi detida e algemada. Ela foi detida enquanto entregava a uma cliente uma cassete que continha uma alegada gravação ilegal da conversa. Ao mesmo tempo, a polícia invadiu os gabinetes do Método 3 em Barcelona, confiscando pistolas, munições, equipamentos de escuta, cassetes e transcrições de chamadas telefónicas ilegalmente gravadas. Posteriormente, foi descoberto que a Srª Fernández Lado tinha efetuado chamadas, oferecendo um serviço de escuta telefónica com honorários de 20 mil libras. O marido da Srª Lado, Francisco Marco Puyuelo, e o irmão de Marco, Francisco Gabriel Fernández Lado, também foram detidos. O Sérgio Sancelestino, um empregado da empresa de telefonia espanhola “Telefónica”, também foi suspeito de ter realizado gravações ilegais e foi provado que tinha uma relação próxima com os empregados do Método 3. Surpreendentemente, o processo contra o Método 3 foi inexplicavelmente retirado. Nenhum deles foi condenado nessa altura pelas suas supostas escutas ilegais e crimes de armas de fogo.

Pouco depois do Natal de 2007, a equipa McCann quase teve outro momento embaraçoso, quando o detetive principal do caso Madeleine McCann, Antonio Jimenez Raso, uma vez descrito como o detetive responsável pelas operações especiais do Método 3, foi detido com base em acusações criminais sérias. Eles só não foram embaraçados por causa de uma manobra inteligente do seu agente de relações públicas, Clarence Mitchell. Antonio Jimenez Raso foi pouco depois acusado, tal como o seu irmão gémeo, de roubar 400 quilos de cocaína, cerca de meia tonelada, de um carregamento ilegal de 1500 quilos que, segundo se diz, valia 25 milhões de libras, num barco proveniente da Venezuela. Também foi acusado de abuso de confiança, a sua conduta em função pública, ou seja, corrupção, corrupção de funcionários públicos e associação criminosa. A alegada defesa ocorreu em dezembro de 2004, e envolveu o que o tribunal descreveu posteriormente como um gangue excecionalmente violento, que envolvia pelo menos 27 indivíduos. Surgiu informação de que Jiménez Raso tinha trabalhado, até dezembro de 2004, como o inspetor-chefe da Unidade de Drogas e Crime Organizado da Polícia Regional de Barcelona. Ele tinha saído da polícia em circunstâncias misteriosas, precisamente enquanto decorria uma investigação interna para averiguar como tinham desaparecido esses 400 quilos de cocaína. Ele depois foi trabalhar para a controversa agência de detetives Método 3 em agosto de 2005, juntando-se à equipa de investigadores privados dos McCanns, dois anos depois. Ele passou os quatro anos seguintes na cadeia, em prisão preventiva. Após um longo processo de investigação, durante o qual o gangue criminoso tentou usar vários meios, incluindo fazer várias ameaças violentas dirigidas ao procurador, de forma a perturbar o assunto que seria abordado em julgamento, e depois tentar arruinar o próprio julgamento, Jiménez Raso teve sorte e escapou sem ser castigado, já que a sua participação ativa no trabalho do gangue não pôde ser provada. No entanto, o juiz repreendeu-o severamente, dizendo-lhe que como antigo agente da polícia, ele tinha estado demasiado próximo de membros do gangue.

Quão envolvido estava o Jiménez Raso, este colaborador próximo de barões de drogas e mafiosos, no trabalho da investigação Madeleine McCann?

Bastante envolvido.

continued in next part...

____________________
"The shoes were black in colour and classic in style" - Jane Tanner's May 4th statement

"I mean, seriously, how often do you really look at a man's shoes?" - Red from The Shawshank Redemption (1994)
Paulo Alexandre
Paulo Alexandre
Forum support

Posts : 924
Activity : 1079
Likes received : 151
Join date : 2019-05-04

Back to top Go down

Buried by Mainstream Media - Transcripts (Portuguese) Empty Re: Buried by Mainstream Media - Transcripts (Portuguese)

Post by Paulo Alexandre 29.03.21 20:05

Investigações Privadas? (Private Investigations?)

3ª Parte

Legenda: MARROCOS

Narração: Torna-se agora claro que uma das primeiras sugestões dos McCanns foi sugerir ao mundo que Madeleine tinha sido roubada por encomenda por uma família rica do norte de África e que provavelmente estava em Marrocos. Os McCanns visitaram Marrocos em junho de 2007 e promoveram o desaparecimento da Madeleine enquanto estavam lá. Várias pessoas que visitaram Marrocos afirmaram terem visto a Madeleine, mas isso foi num momento em que o frenesi mediático estava no seu auge e Madeleine era vista em praticamente todos os lados. Assim que Brian Kennedy tornou-se no diretor operacional da investigação privada dos McCanns e nomeou o Gary Hagland o seu oficial de ligação com o Método 3, os dois homens elaboraram rapidamente um plano detalhado que teve como foco promover a ideia de que Madeleine estava muito provavelmente em Marrocos.

Hagland foi enviado para Londres para discutir o projeto Marrocos com um antigo colega do MI6 que trabalhou no Ministério das Relações Exteriores de Marrocos. Um grande avanço naquilo que podíamos chamar de “o projeto marroquino” dos McCanns ocorreu quando houve uma enorme explosão de afirmações especulativas nos últimos dias de setembro de 2007 de que uma menina branca, levada às cavalitas por uma camponesa marroquina, podia ser a Madeleine McCann. Como se veio a verificar dias depois, foi provado que a menina, Bouchra Benaissa, era uma rapariga marroquina a ser levada pela sua mãe. Tal como muitas outras coisas, continua a ser um grande mistério como a foto foi tirada e como os McCanns a conseguiram obter antes de ter chegado às mãos da polícia. Foi claramente a equipa McCann que informou a imprensa e entregou aos media a fotografia em questão. Aqui vemos como Kate McCann explica tudo isto no seu livro:

“No dia 27 de setembro, nós soubemos que uma menina loira parecida com a Madeleine tinha sido avistada com um grupo de camponeses marroquinos. Nós recebemos uma fotografia…”

Ela não explica quem a tirou nem como a obteve.

Ela continua a dizer que a criança era demasiado jovem para ser a Madeleine, dizendo que “a fotografia estava demasiada granulada para termos a certeza absoluta”. No dia em que a fotografia apareceu na imprensa britânica, a 25 de setembro, como disse a Kate, um contingente de jornalistas enfiou-se num avião em direção a Marrocos para tentar localizar a Madeleine. Ela explica que “Brian Kennedy telefonou-nos mais tarde a perguntar se nós gostaríamos que ele fosse a Marrocos para ter a certeza”. Kate diz que não estavam confiantes de que isso fosse necessário ou prudente, contudo ela diz: “Lá foi o Brian no seu avião [o seu avião privado] ao norte de Marrocos”. Parece como se isto tivesse sido uma decisão impulsiva de um homem honesto que apenas queria fazer tudo o que pudesse para encontrar a Madeleine. No entanto, o que Kate parece admitir no seu livro é que esta não foi uma decisão precipitada de Brian Kennedy. Parece que ele tinha organizado previamente um encontro com o homem do Método 3 em Marrocos, Antonio Jiménez Raso. A viagem a Marrocos pode ter sido planeada com uma semana ou duas de antecedência. A publicidade sobre a Bouchra Benaissa parece ter coincidido com a sua visita planeada antecipadamente. O espanhol Antonio Jiménez Raso era o homem principal da equipa McCann em Marrocos, um país que também fala espanhol. Isto permiti-lo-ia trabalhar em Marrocos e conversar facilmente com quem quisesse.

A alegada razão pela qual Jimenéz Raso residia em Marrocos naquele outono era simplesmente para encontrar a Madeleine, todavia, examinemos o que ele na verdade fez. Um dos seus principais papéis parece ter sido procurar qualquer testemunha que estivesse disposta a dizer que podia ter visto a Madeleine com vida. Houveram relatos de que Jiménez Raso e outros detetives do Método 3 andavam em Marrocos, oferecendo dinheiro a qualquer pessoa que dissesse que tinha visto a Madeleine. Isto foi confirmado de forma dramática por um dos artigos de um jornal que afirmava que o governo marroquino tinha tomado a decisão rara de expulsar um homem que tinha visitado hotéis e garagens em vários lugares de Marrocos, oferecendo dinheiro a pessoas, caso elas afirmassem que tinham visto uma menina parecida com a Madeleine. O artigo não mencionou o seu nome nem a sua nacionalidade, mas podia bem ter sido o Jiménez Raso. Depois disto, nós vemos o Antonio Jiménez Raso e o seu patrão, Francisco Marco, a aparecerem no departamento da investigação criminal de Portimão, que era a sede da investigação oficial em Portugal. Estavam lá para falar com a polícia portuguesa. Isto foi a 13 de novembro de 2007 e com eles para esta reunião importante estava o homem que dirigia a investigação privada dos McCanns, o multimilionário de Cheshire, Brian Kennedy.

A que se deveu este encontro entre a polícia portuguesa e os detetives privados dos McCanns? Surgiu com a ajuda de Jiménez Raso. Ele tinha utilizado as suas várias ligações com a Polícia de Barcelona para conseguir que o chefe da Polícia de Barcelona chamasse o seu homólogo em Portugal para solicitar uma reunião. Ele disse que o Método 3 tinha informações vitais sobre quem podia ter raptado a Madeleine. A reunião foi devidamente organizada e Brian Kennedy veio desde Cheshire para reunir-se com três agentes da polícia portuguesa. Os homens do Método 3 viajaram várias centenas de quilómetros para assistir a esta reunião. Kennedy viajou umas 1500 milhas – deviam ter considerado que valia a pena. Os três homens criaram histórias elaboradas e inacreditáveis sobre três possíveis suspeitos. A polícia portuguesa tomou notas. Seguiram o que para eles podiam parecer pistas promissoras – nenhuma delas levou a algo significante. De facto, o único resultado que tiveram foi perder tempo valioso da polícia.

Concluímos que Jiménez Raso passou quatro anos na cadeia, em prisão preventiva por crimes relacionados com ligações a membros de um gangue violento. Concluímos que a equipa McCann não só o contratou mas que também era o detetive principal utilizado pelos McCanns. Quando Jiménez Raso foi detido em fevereiro de 2008, a imprensa imediatamente salientou que era um dos detetives privados dos McCanns. Como é que a equipa McCann reagiu? Eles negaram perentoriamente. O seu porta-voz, Clarence Mitchell, disse: “Ele não pertence à nossa equipa”.

Era uma mentira inaceitável, como acabamos de mostrar. No entanto, essa não foi a única reunião que Brian teve nesse dia. Vamos dar uma vista de olhos a outra reunião que ele teve durante a tarde. A sua reunião teve lugar numa quinta na Praia da Luz chamada Salsalito. Foi na casa de Ralph e Sally Eveleigh, tia e tio de Robert Murat, o homem que foi declarado o primeiro suspeito formal do desaparecimento da Madeleine a 15 de maio daquele ano.

Richard Hall: É possível ver ao longe a propriedade Salsalito. Eu vou indicar com o dedo – é esta aqui, a propriedade dos Eveleigh, Salsalito. Este é o local onde a polícia portuguesa realizou buscas relacionadas com o desaparecimento de Madeleine McCann.

Narração: Foi uma reunião que envolvia figuras poderosas. Lá se encontravam Robert Murat e o seu poderoso advogado Francisco Pagarete. O Brian Kennedy também levou o seu advogado, o poderoso advogado Edward Smethurst. Smethurst tinha sido durante anos o advogado de empresa de Brian Kennedy para o seu império Latium Enterprises. Segundo se diz, ele também tinha sido nomeado advogado coordenador de Kate e Gerry McCann numa reunião a 14 de setembro, em Londres. Além disso, ele era um maçom notável. Ele é um maçom de alto nível na província maçónica do leste de Lancashire e também é apelidado de “past Worshipful Master” [venerável mestre] da sua Loja. Smethurst tinha estado bastante envolvido em movimentos maçónicos durante a sua adolescência, após o seu pai ter falecido subitamente num incêndio misterioso. O seu mentor na Loja era o ex-diretor dos serviços legais na British Nuclear Fuels Ltd., Alvin Shuttleworth. Após obter o título de advogado, o seu mentor Shuttleworth deu-lhe um trabalho como assistente jurídico, onde ele se envolveu rapidamente na defesa de pedidos de indemnização de vítimas de leucemia de Cumbria, que viviam perto da central nuclear. Em novembro de 2007, Smethurst apareceu num programa sobre o desaparecimento de Madeleine.

Edward Smethurst: Foi bastante evidente que quando Kate e Gerry regressaram ao Reino Unido, eles foram sujeitos a uma série de abusos por parte dos media. Eles obviamente passaram pela tragédia do rapto da sua filha em circunstâncias bastante infelizes, e como se isso não bastasse, estavam agora sujeitos a um julgamento pelos media.

Narração: Portanto, a pergunta essencial que temos de colocar sobre esta reunião é “por que razão aconteceu?”. Juntos aqui na mesma sala temos o primeiro suspeito Robert Murat e o seu advogado, Smethurst, advogado do segundo e terceiro suspeitos, os McCanns, e o diretor da investigação privada dos McCanns, Brian Kennedy. Nada se disse sobre a reunião, mas ela foi revelada através de fugas nos jornais locais portugueses. Perguntaram a Kennedy por que motivo teve uma reunião privada com o então principal suspeito, Robert Murat. Ele respondeu: “para oferecer um trabalho a ajudar a encontrar a Madeleine”. Pode julgar por si próprio o quão credível essa explicação foi.

Mas agora devemos examinar o papel de Antonio Jiménez Raso e do seu chefe, Francisco Marco, noutra série de acontecimentos estranhos e perturbantes. Alguns de vocês a assistirem recordar-se-ão de imagens de uma equipa de mergulhadores num lago turvo à busca dos ossos de Madeleine, no inverno de 2008. No centro desta busca estava outro homem que devemos agora introduzir, que também fazia parte da equipa do Método 3, um advogado chamado Marcos Aragão Correia. Era um jovem advogado de trinta e poucos anos, oriundo da ilha da Madeira. Quando a história foi publicada no fim de 2008, ele apresentou-se como um bom samaritano que financiava a busca com o seu próprio dinheiro, sendo ela baseada em informação recebida, segundo diz. Qual era a informação recebida? Ele contou uma história extraordinária. Dias após o desaparecimento de Madeleine, ele disse, referindo-se misteriosamente a fontes secretas, que lhe tinham contado que Madeleine tinha sido raptada, violada, assassinada e que o seu corpo tinha sido atirado para um lago turvo. Ele disse que tinha fornecido esta informação à polícia portuguesa, mas eles não lhe deram ouvidos. Ele posteriormente tentou descobrir onde poderia estar este lago e, usando pistas recebidas através de uma visão ou de um sonho, ele arranjou alguns mapas da zona, visitou vários lagos e concluiu que o corpo de Maddie devia estar na barragem do Arade. Havia uma torre junta ao lago. Ele concluiu que, tal como lhe tinham dito que Madeleine tinha atirada para o lago, ela devia ter sido atirada a partir da torre! Ele mandou os seus mergulhadores procurar apenas na parte do lago que estava próxima da torre. Ele ou outros asseguraram-se de que os media estariam lá para filmar o acontecimento e a comunicação social britânica, como sempre, ouviu a história e reciclou-a como se fosse verdade. Havia somente um problema com esta história: era um completo disparate, uma mentira de início ao fim.

Eventualmente, o Marco viu-se obrigado a admitir, sob a pressão das perguntas implacáveis dos jornalistas, que tinha contado a todos um monte de mentiras. Disse que agora diria a verdade. A nova história relatava o seguinte:

Dois dias após o desaparecimento de Madeleine, ele foi ao seu primeiro encontro espiritual na igreja. Ele foi para casa e depois teve uma visão de um homem gigante e poderoso a estrangular uma menina com a idade da Madeleine. Mais tarde, ouviu falar do desaparecimento de Madeleine McCann e relacionou a sua visão com o desaparecimento. E foi assim que ele ficou interessado nela. Mais tarde, teve uma visão de um lago turvo e isso, novamente, com a ajuda de mapas, levou-o à busca da barragem do Arade. Infelizmente, para a credibilidade do Marcos Correia, essa história igualmente desmoronou-se enquanto estava sob pressão, e teve que admitir que essa também era falsa. Regressando ao assunto das buscas na barragem, haviam duas: uma no final de janeiro e início de fevereiro, e outra semana de buscas em março. Foi utilizada em ambos os casos uma equipa de mergulhadores britânicos. Novamente, o Marcos Correia admitiu sob pressão que outra parte da sua história original era uma mentira. Pelos vistos, ele não era um bom samaritano. Ele tinha sido pago pelo Método 3 para realizar estas buscas na barragem e, como é evidente, o Método 3 tinha sido contratado por Brian Kennedy em nome da equipa McCann. Portanto, ao realizar buscas nesta barragem, para quem é que este homem realmente trabalhava? Basicamente, ele trabalhava para os McCanns. E da mesma forma que a maior parte do dinheiro usado para os serviços do Método 3 chegavam através da generosidade do povo britânico, foram as nossas doações que financiavam esta busca.

Ele primeiro disse que tinha financiado estas buscas na barragem com o seu próprio dinheiro. Durante o evento havia extensa cobertura mediática de ambas as buscas. Foi encontrada uma peça de roupa que, segundo se disse, podia ser da Madeleine – não era! Depois encontraram uma enorme quantidade de ossos que, segundo se disse, podiam ser da Madeleine. Eles foram entregues ostentosamente à polícia portuguesa – eles não eram os ossos de Madeleine; eram ossos de animal. Eventualmente, as buscas foram finalizadas. Mas agora chegamos a uma parte ainda mais sinistra desta história e essa é que esta busca na barragem do Arade foi planeada pelo menos sete semanas antes de acontecer. Tal como explicou o Marcos Correia num artigo de revista, ele encontrou-se com o Francisco Marco e Antonio Jiménez Raso do Método 3 nesta barragem do Arade, a 10 de dezembro de 2007. Esta foi talvez a primeira vez que Marcos Correia encontrou-se com os dois investigadores do Método 3. Ambos tiveram que percorrer um longo caminho. Para Marco e Jiménez Raso, a viagem a partir da sua sede em Barcelona era mais de 700 milhas. Para Marcos Correia, a partir da sua residência na Madeira, foram mais de mil milhas.

Quem é que organizou este encontro?

Correia, tal como vimos, trabalhava para o Método 3. Sabemos que Francisco Marco e Jiménez Raso do Método 3 trabalhavam para Brian Kennedy desde setembro de 2007. Logo, os três eram homens do Método 3, nomeados por Brian Kennedy em nome da equipa McCann. Portanto, o que parecia ser um esforço sincero de um bom samaritano para verificar informação que tinha recebido, de que o corpo de Madeleine podia ter sido atirado para as águas da barragem do Arade, acabou por ser um evento meticulosamente planeado pelo Método 3, e ao financiar esta busca com as doações do público britânico, apercebemo-nos agora que eles fiavam-se num homem que mentiu com todos os dentes, não uma, mas sim duas vezes sobre como se chegou a interessar pelo que realmente aconteceu a Madeleine.

Quanto mais observa os eventos e pessoas responsáveis pela busca de ossos na barragem do Arade, mais tudo isto parece ser um truque com o objetivo de conseguir manchetes de jornal na imprensa britânica. Temos de perguntar: porque é que os McCanns fizeram isto? Qual era o objetivo disto tudo? Porque é que três pessoas contratadas pelos McCanns viajaram centenas de quilómetros para se encontrarem na barragem em dezembro de 2007? Porque é que não se informou o povo britânico sobre a iniciativa desta busca quando a notícia foi publicada no final de janeiro?

continued in next part...

____________________
"The shoes were black in colour and classic in style" - Jane Tanner's May 4th statement

"I mean, seriously, how often do you really look at a man's shoes?" - Red from The Shawshank Redemption (1994)
Paulo Alexandre
Paulo Alexandre
Forum support

Posts : 924
Activity : 1079
Likes received : 151
Join date : 2019-05-04

Back to top Go down

Buried by Mainstream Media - Transcripts (Portuguese) Empty Re: Buried by Mainstream Media - Transcripts (Portuguese)

Post by Paulo Alexandre 29.03.21 20:15

Investigações Privadas? (Private Investigations?)

4ª Parte


Antes de deixarmos o tópico do Método 3, deveria mencionar que o seu diretor, Francisco Marco, também esteve envolvido numa fraude relacionada com a agricultura, na mesma altura em que tinha o contrato Madeleine McCann. Isto tornou-se informação pública a 2 de fevereiro de 2009. O caso envolveu desvio de fundos e branqueamento de capitais. Não era de estranhar, tendo em conta o historial do Método 3 no que respeita a crimes de branqueamento de capitais. Basicamente, o governo regional catalão tinha comissionado e pago um grande número de relatórios de peritos, mas estes relatórios, disse um procurador estatal, não tinham nada de útil ou interessante. Um dos exemplos mais óbvios foi o pagamento ao Método 3 de cerca de 30 mil libras por uma investigação socioeconómica completamente desnecessária sobre o cultivo de avelãs. O coletivo “Clean Hands” [Mãos Limpas], que realiza campanha contra a corrupção, descobriu que o conselheiro de agricultura socialista, Joaquim Llena, tinha pedido ao Método 3 que levasse a cabo um estudo sobre as avelãs. No entanto, aca bou por se saber que o trabalho do Método 3 era apenas um relatório copiado da Internet sobre a produção de avelãs numa revista regional chamada “Elle Confidential”. Por outras palavras, o Método 3 tinha conseguido obter 30 mil euros ao não fazer nada. Em março de 2008, os McCanns deixaram de usar os serviços do Método 3 a tempo inteiro, passando a usá-los a tempo parcial.

Está na altura de dar uma vista de olhos à pessoa extraordinária que os McCanns e Brian Kennedy agora nomearam para liderar a sua busca pela desaparecida Madeleine. Foi uma empresa chamada “Oakley International”. Quando foi divulgada informação nos media de que o Método 3 tinha sido substituído, o porta-voz dos McCanns, Clarence Mitchell, descreveu-os como “os grandes” da investigação privada internacional. Mais uma vez, os media britânicos simplesmente reproduziram esta afirmação sem se darem ao trabalho de a investigar. De facto, Oakley International era uma empresa de um homem só, gerida por um irlandês burlador e vigarista, Kevin Halligen. Também esteve envolvido com ele um antigo colega do MI5, Henri Exton. Nós saberíamos muito pouco sobre Halligen se não fosse por um artigo detalhado publicado a 24 de agosto de 2009 pelo perito em segurança e escritor Mark Hollingsworth no “Evening Standard”. Estes foram os principais factos que revelou: Brian Kennedy e os homens que ele contratou, como por exemplo, os três empregados do Método 3 que já vimos, assustaram testemunhas, falando com eles de forma tão agressiva que alguns deles recusaram-se a falar com a polícia, desperdiçaram fundos e criaram falsas expetativas. Brian Kennedy e o seu filho Patrick tiveram de ser interrogados pela polícia portuguesa, após tentarem montar um sistema de vigilância numa casa onde eles acreditavam que Madeleine estava a ser retida. Ela não estava lá. A relação entre o Método 3 e a polícia portuguesa rompeu-se por completo. Os investigadores de Kennedy tinham pouca experiência em trabalho forense de detetive.

No seu artigo, Hollingsworth realçou que Exton tinha trabalhado para o MI5, mas foi despedido após ter sido detido, apanhado a abandonar uma zona isenta de impostos do aeroporto de Manchester com um frasco de perfume que não tinha pago. Ele aceitou uma advertência da polícia. Quanto a Kevin Halligen, Hollingsworth foi implacável. Halligen utilizava uma variedade de nomes quando conheceu os McCanns. Ele contou-lhes que o seu nome era Richard Halligen. Ele afirmou falsamente que tinha trabalhado para o GCHQ [Quartel Geral de Comunicações do Governo] e fez outras declarações falsas e afirmações extravagantes sobre si mesmo. Em 2006, um ano antes de Madeleine ter desaparecido, ele assegurou um contracto com a empresa holandesa Trafigura. Eles tinham despejado resíduos tóxicos num aterro perto de Abidjan, a maior cidade da Costa do Marfim, causando doença física severa a centenas de pessoas que viviam nas proximidades da cidade. O governo mandou prender alguns dos diretores de Trafigura. Trafigura nomeou Halligen com um contracto lucrativo para ajudar nas negociações para libertar os seus diretores. Ele não o conseguiu, o que significa que Trafigura teve de pagar o valor surpreendente de cerca de 125 milhões de libras para assegurar a libertação dos seus diretores.

Tal como o Hollingsworth frisou, Halligen fez uma fortuna com o Trafigura e passou a voar na primeira classe para todas as partes do mundo, ficando hospedado nos hotéis de Lansborough e Stafford em Londres e em Washington D.C. durante os meses consecutivos. Ele depois descreveu o que Halligen fazia quando supostamente trabalhava para os McCanns. Na verdade, ele apenas trabalhou para eles durante quatro meses, dado que o seu contracto de seis meses tinha sido finalizado antecipadamente. Durante este tempo, ele pagou meio milhão de libras mais custos. Era uma taxa de 6 mil libras por dia. Para além disso, os seus gastos no primeiro mês foram quase 50 mil libras, apesar de não ter qualquer experiência em localizar e encontrar pessoas desaparecidas. Durante a investigação Madeleine, disse Hollingsworth, Halligen passou muitíssimo tempo no bar “Hey Joe”, no sótão do Clube Abracadabra, próximo do seu gabinete na German Street. Equipado com uma enorme quantidade de telefones móveis não registados e uma Blackberry, o bar era, de facto, o seu gabinete. Ele estava lá praticamente todo o dia. Ele tinha uma espantosa tolerância ao álcool. Quando não estava “nos copos” na St. James, Halligen estava nos Estados Unidos. A 15 de agosto de 2008, no auge da crise da investigação dos McCanns, ele exortou o Andre Hollis, um antigo funcionário da Administração de Fiscalização de Drogas dos EUA, a escrever um cheque de 80 mil dólares para a Oakley, em troca de uma participação de 10% na empresa. O dinheiro foi posteriormente transferido para as contas privadas de Halligen e da sua namorada Shirin Trachiotis, com o intuito de financiar as férias em Itália.

Hagland enfrentou depois um processo legal de 6 milhões de dólares em Virgínia relacionado com uma acusação de que ele tinha esgotado repetidamente e sistematicamente os fundos das contas bancárias de Oakley para gastos pessoais inapropriados. Ele enfrentou outra indemnização de 1.4 milhões de dólares de Mark Aspinall, um advogado que trabalhou com ele. Ele tinha investido 500 mil libras na Oakley International e perdeu a maior parte. Hollingsworth diz que vários funcionários, consultores especialistas e empreiteiros contratados por Halligen não tinham sido pagos, afirmando que alguns deles agora enfrentam possível ruína financeira. Hollingsworth concluiu o seu artigo ao dizer-nos que Halligen estava agora a fugir dos seus credores e de várias agências legais. Foi em outubro de 2009 que uma mulher atenta reconheceu a cara de Halligen a partir de uma fotografia na imprensa. Ele tinha sido avistado a pernoitar num hotel de 700 libras por noite em Oxford com a sua então namorada. A polícia meteu-o numa carrinha e levaram-no para a prisão de alta segurança de Belmarsh. Ele tentou obter extradição durante três anos, eventualmente tendo sido transferido para os EUA, onde ele se declarou culpado de crimes de fraude séria. Ele cumpriu uma pena de prisão de quatro anos.

Novamente, devemos perguntar: porque é que os McCanns recorreram a um completo burlador como o Kevin Halligen, que não tinha nem capacidade nem experiência em rastrear pessoas desaparecidas? A equipa McCann era composta pelos próprios McCanns, ambos médicos, um dos melhores especialistas em relações públicas do país, Clarence Mitchell, Brian Kennedy, um empresário multimilionário e o seu advogado de empresa, o maçom de alto nível Edward Smethurst. Como é que os McCanns puderam gastar mais de meio milhão de libras, arrecadado através do generoso povo britânico, neste homem? Como era de se esperar, Kate McCann ignora este episódio lamentável no seu livro, descrevendo-se a si mesmos como “ingénuos”. Ela escreveu:

“A primeira e segunda fase do contracto [de Abril a Julho] correram de forma tranquila. Oakley tinha montado sistemas para recolher, acumular, priorizar e monitorizar informação recente… Existiam poucas dúvidas naquela altura do progresso que estava a ser feito”.

Mas isso simplesmente não era verdade – Halligen não conseguiu nada. Ele nem sequer levou a investigação a um ponto mais próximo de descobrir quem raptou a Madeleine e onde ela poderia estar. E vamos dar uma vista de olhos a estes chamados “sistemas” que Halligen montou, para monitorizar informação que chegava. Um destes foi contratar uma empresa em Virgínia nos EUA, para responder a chamadas da linha direta da investigação promovida pelos McCanns. Este era o número de telefone publicado no website dos McCanns “Encontrar a Madeleine” que tinha o lema “Atende o telefone e traz a Madeleine para casa”. No entanto, o seu diretor Johan Selle disse ao “Mail on Sunday” que nem a equipa McCann nem o Kevin Halligen nem nenhuma outra pessoa tinha respondido a qualquer chamada efetuada à intitulada “Linha Direta”. Isto foi o que Daniel Boffey escreveu no “Mail on Sunday”:

O título dizia: “O diretor do IJet afirma que os McCanns nunca responderam a chamadas efetuadas à sua linha direta – o investigador de Madeleine McCann não deu ouvidos a qualquer pista dada à Linha Direta”. Ele continuou:

“Talvez o mais preocupante acerca de Halligen é a falta de atenção prestada a centenas de chamadas telefónicas recebidas pela Linha Direta da Madeleine. Halligen e a Oakley International, sediada em Washington, não ouviram qualquer chamada recebida pela Linha Direta criada por Kate e Gerry no ano passado para possíveis informadores. Johan Selle, o diretor de operações na IJet, revelou que durante um ano ninguém sequer perguntou à sua empresa se eles podiam ouvir alguma das chamadas recebidas. Ele disse que os seus operadores, em Annapolis, Virgínia, tinham atendido “centenas de chamadas”, mas a informação parecia ser desperdiçada – provavelmente desperdiçando pistas valiosas. Ele disse: ‘Nós entregámos um relatório a Oakley com uma lista de todas as chamadas e dissemos que se eles quisessem regressar, eles podiam ouvir a gravação, mas ninguém veio. Para alguém com conhecimento sobre o caso, seria bastante fácil para alguns dizerem que talvez 80 ou 90 por cento das chamadas eram disparates, mas pode haver uma percentagem que diga: ‘talvez devíamos ouvir esta ou aquela’. Mas o nosso entendimento é que isto nunca aconteceu. ‘Nós não temos a certeza se Halligen forneceu o nosso relatório à família ou à empresa do fundo ou aos que trabalhavam com ele ou à equipa a trabalhar depois da saída dele, porque ninguém nos voltou a contactar. ‘Enviamos o relatório ao grupo Oakley e a nossa suposição foi que eles tinham usado isso como uma peça do puzzle. No entanto, parece que isso não aconteceu. A empresa diz que não foi paga pelo Halligen ou pela Oakley International pelos seus serviços.”

Os McCanns continuadamente imploraram ao público que fizessem essa chamada telefónica “para ajudar-nos a encontrar a chave que resolverá o mistério, ajuda-nos a encontrar a peça que falta do quebra-cabeças, etc.”. Parece que pelo que Selle contou ao “Mail on Sunday”, a Linha Direta era falsa. Tudo o que podias fazer na Linha Direta dos McCanns era deixar uma mensagem; ninguém recebeu uma resposta. Isto poderia ser algo, mas o testemunho de Selle sugere que, na primavera de 2008, a Linha Direta era uma farsa completa.

O artigo do “Mail on Sunday” também deu mais detalhes chocantes sobre o que Halligen na realidade fazia enquanto supostamente procurava a Madeleine. Aqui tem mais do artigo de Daniel Boffey:

“Halligen esbanjou mais de meio milhão de libras. Em apenas um mês, por exemplo, ele tinha gasto mais de 3 mil libras apenas a jantar com a sua namorada. De facto, enquanto supostamente trabalhava para encontrar a Madeleine, ele começou a gastar dinheiro em hotéis, restaurantes e bens de luxo. Nos seus primeiros dois meses como investigador principal na busca pela Madeleine, Halligen gastou 7 mil libras num motorista pessoal. Mais tarde, numa breve viagem a Nova Iorque com a sua namorada, ele gastou 1.600 libras em objetos de couro da empresa Salvatore Ferragamo, 5.500 libras em bolsas, 500 libras em refeições italianas, 150 libras num par de óculos e 900 libras num alojamento de três noites no hotel de cinco estrelas Renaissance. Já sendo o dono de uma mansão de 1.5 milhões de libras, ele também gastou mais de 50 mil libras em canalizações e azulejos para a sua casa em Great Falls, Virgínia. Ele falou sobre esquemas inusitados que estava a desenvolver para ‘apanhar’ o raptor. Uma das mais bizarras declarações foi que ele tinha contratado um ator para fingir-se de ‘padre bêbado’que procurava confissões enquanto andava nos bares de Praia da Luz, o complexo turístico onde Madeleine desapareceu. Ele disse a outros que uma família com uma filha parecida com a Madeleine tinha sido paga para arranjar residência perto de um complexo, de forma a atrair um possível sequestrador. Não existem provas que ele fez qualquer uma dessas coisas. De facto, conhecidos dele descrevem-no como uma personagem do tipo ‘Walter Mitty’. Após ser perseguido por credores a exigirem que fossem pagos os seus trabalhos feitos a ajudá-lo, Halligen fugiu para Roma com a Srª Trachiotis… Quase imediatamente após ter chegado a Roma com os seus bilhetes Lufthansa de primeira classe, Halligen retirou mais de centenas de milhares de libras das contas bancárias de Oakley International, foi visto a beber e a gastar dinheiro nos hotéis de Hilton Cavalieri e Excelsior em Roma, antes de regressar tranquilamente ao Reino Unido alguns meses atrás."

O Halligen era um burlador, vigarista e ladrão. Ele cumpriu uma pena de prisão de 4 anos por alguma das suas burlas. Os McCanns, Clarence Mitchell, Brian Kennedy e Edward Smethurst são todos profissionais qualificados e empresários. Como é que podemos explicar que este grupo de profissionais contrataram um burlador de meia-tigela para procurar a Madeleine e a pessoa que alegadamente a raptou? É uma pergunta à qual se exige uma resposta clara, porém os McCanns nunca nos deram essa resposta clara. Logo, devemos utilizar os nossos próprios meios para tentar perceber qual foi a verdadeira razão pela qual eles contrataram-no.

Temos visto até agora as primeiras duas fases da investigação privada dos McCanns. Primeira fase: A contratação da agência de detetives mais descredibilizada de Barcelona, o Método 3, tal como a contratação de um especialista em lavagem de dinheiro e conformidade financeira, Gary Hagland, em Inglaterra. E segunda fase: a contratação de Kevin Halligen, um vigarista e burlador condenado. Na quarta parte, concluiremos a nossa análise do que realmente aconteceu na investigação privada dos McCanns, terminando a nossa série de documentários com uma análise da ajuda que o governo britânico tem dado aos McCanns, em todas as oportunidades, de modo a dar força às suas afirmações de que Madeleine foi raptada.
 
ENTERRADA PELA COMUNICAÇÃO SOCIAL: A Verdadeira História de Madeleine McCann

de Richard D. Hall
 
UM FILME DE RICHPLANET
POR FAVOR, DISTRIBUA LIVREMENTE

para doar, visite www.richplanet.net/donate
 
“Mesmo que seja uma minoria de um, a verdade ainda é a verdade”
- Mahatma Gandhi
 
Para mais informações e links sobre este caso, por favor visite www.richplanet.net/madeleine

END OF "Private Investigations?"

____________________
"The shoes were black in colour and classic in style" - Jane Tanner's May 4th statement

"I mean, seriously, how often do you really look at a man's shoes?" - Red from The Shawshank Redemption (1994)
Paulo Alexandre
Paulo Alexandre
Forum support

Posts : 924
Activity : 1079
Likes received : 151
Join date : 2019-05-04

Back to top Go down

View previous topic View next topic Back to top


 
Permissions in this forum:
You cannot reply to topics in this forum